segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Poeta não vive o amor

O Poeta não vive o amor
Habita, pois, os amantes
Seus risos bestas radiantes
Penetra almas e alcovas
Mas deita, em fria e turva cova
À fronha amargos diamantes

E sente ao peito o calor
O abraço, o beijo, a euforia
A causar-lhe sôfrega agonia
Estaca que o espírito sente
Perfura os tecidos da mente
Mas o corpo, demente, não sacia

No arranhar da pena ao papel
Exerce ele o mais lindo amor
Trovões, carícias, gritos, vapor!
Paixões de arquétipos tantos
P'ra depois da explosão, acalantos
Suspiros de alívio ao ardor

A mão sua brandindo o pincel
Triste punhal que liberta o afônico
Exibe o real ao Poeta, platônico
Que o amor não se lhe pertence
Restando-lhe a reger os romances
De longe, distante, num choro atônico

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