quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Festeiro Machão (O Proxeneta)

O Festeiro Machão é macho já do olhar
Uma olhada fulminante e é como um tapa
Peitinho estufado, uma pedância
Mede um metro e meio, meio quilo
Mas cada braço é mais meio metro - o que já é suficiente pra esbofetear jogador de basquete

A mulherada se atucana quando vê o Festeiro Machão
Também, o homem exala testosterona
O cara fede a masculinidade
"É como deve ser um homem", já diz o Festeiro com a mão próxima à virilha 
É tão galo, tão bagual, que a mulherada nem se aproxima, assustada com a própria libido

O Festeiro Machão gosta da noite, da esbórnia
Com ele não tem erro: convidou pra festa?
Vai ter que ter festa
Assíduo frequentador de bar, boteco, birosca...
Tudo aquilo que hoje chamam de "pub" (pâbi)
Já chega entrando
E já vem um molóide lhe apertar a mão 
Aqueles que não têm noção do perigo
"Puxa-saco"

Se um cara é sabido é o Festeiro Machão
Só anda com mulher bem resolvida no financeiro
Certo que é por isso que só é visto sozinho
Seleciona
Então se a "china" tem uns ferrinhos na niqueleira
Não lhe falta cigarro naqueles beiços

O Festeiro Machão, também conhecido como "O Proxeneta"
É tão macho, que sua banda preferida é o Motörhead 
E seu músico predileto é o John Bonham 
Mas, dentre o chinaredo, escancara um Queen 
Em singela homenagem ao putedo, pessoal não menos digno de mimos

O Festeiro Machão, o cara
Não é eu, não é você
Os papa-hóstias não gostam dele
Os fatiotinhas, também não
As carolas, só à noite, no fogo dos lençóis
Mas quem vai impedir o aquecimento global?
Quem vai erradicar a fome no mundo?
Quem vai frear a corrupção?
Quem pode evitar a guerra nuclear?
Ninguém sabe...
O Festeiro Machão tá cagando pra tudo isso

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Poeta não vive o amor

O Poeta não vive o amor
Habita, pois, os amantes
Seus risos bestas radiantes
Penetra almas e alcovas
Mas deita, em fria e turva cova
À fronha amargos diamantes

E sente ao peito o calor
O abraço, o beijo, a euforia
A causar-lhe sôfrega agonia
Estaca que o espírito sente
Perfura os tecidos da mente
Mas o corpo, demente, não sacia

No arranhar da pena ao papel
Exerce ele o mais lindo amor
Trovões, carícias, gritos, vapor!
Paixões de arquétipos tantos
P'ra depois da explosão, acalantos
Suspiros de alívio ao ardor

A mão sua brandindo o pincel
Triste punhal que liberta o afônico
Exibe o real ao Poeta, platônico
Que o amor não se lhe pertence
Restando-lhe a reger os romances
De longe, distante, num choro atônico