domingo, 20 de outubro de 2013

Costa e Silva - Herzog

Não que eu considere Vladimir Herzog um incontestável herói martirizado pelo Regime Militar, mas a ideia de trocar o nome da ponte Costa e Silva, popularmente conhecida por Ponte Rio-Niterói, pelo nome do jornalista torturado e morto pelos carrascos da ditadura brasileira, me parece o menos incoerente possível quanto a nomes de vias públicas como homenagens. Vladimir Herzog fazia parte do Partido Comunista - militância essa, que eu não tenho a mínima admiração pela qual (assim como qualquer coisa que arrebanhe e crie séquitos) -, que, por sua vez, era (é) admirador e idólatra de déspotas como Stalin, Mao e Castro (mas qualquer informação negativa acerca desses senhores é manipulação da "Direita Capitalista" - lógico...)... Então já me brilha aos olhos uma imagem dele de ovelha adestrada: o que enxergo como tremenda cretinice (mas os comunistas podem: eles "têm uma causa")... 

Mas não é nesse mérito que quero entrar... Prefiro, sim, o nome de Vladimir Herzog no lugar; o nome dele como homem a ser homenageado em contraponto ao de um crápula sacripanta (esse nosso idioma nos prega cada peça...), Costa e Silva, que deveria ser lembrado apenas nas páginas amargas dos livros de História como exemplo a jamais ser seguido. Nesse caso, pouco me importa o partidarismo de Vladimir Herzog. Aquilo que o dramaturgo via como o ideal de uma sociedade não vingara por essas bandas. O professor Herzog jamais ameaçaria o país com seus Ches e Lenins. Talvez fosse amante daquele sonho etéreo, como também foi Marx. No entanto, só o que conseguiria - e conseguiu - fazer foi tentar, na melhor das hipóteses, exigir e cobrar a democracia; não admitir tiranos no exercício de sua usurpação.

Não é a primeira vez que brado contra tributos a ditadores. Quando um homem tenta dominar, governar a outro(s), ele se torna inglório. Como é cafona senhores, amos, donos... Como é vulgar. Como é patético manter monumentos em glória, que foram erigidos pelos próprios feitores, de pé. Vladimir Herzog não foi manda-chuva de ninguém. Foi, como tantos outros, um subversivo contra uma monarquia sem título. No caso brasileiro, sua doutrina ideológica nem fazia diferença, porque naquela ocasião, só havia um objetivo comum: o não-domínio. Portanto, a meu ver, Herzog é, claro, digno de substituir Costa e Silva em deferência nacional. Mas, o Vladimir Herzog, pois reverenciar Stalin e Hitler, dá no mesmo...

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