terça-feira, 24 de setembro de 2013

Azares de Uma Vida Chuvosa

Azares de uma vida chuvosa
O guarda-chuva arregaçado por aquele vendaval
que vem de todos os lados
Um frio de apavorar russo
E só acontece com você
(com o seu gurda-chuva)
Com seu corpo, o mais frágil do mundo
O mundo odeia você
Você odeia o mundo
Você odeia seus pensamentos
Sua memória cretina
A imundície lamacenta de suas lembranças
das dívidas nos botecos
E os guarda-chuvas dos outros 
não ficam do avesso com o vento
É só o seu
Que ódio deles!
Suas indiferenças, e uns não podem conter o riso
E quando um mendigo vos pede um cigarro
V. Ex.ª nega, dizendo que não tem outro
senão aquele que carrega entre os dedos
Lho refusa porque não quer parar
(mas você tem cigarro [acabou de comprar]),
temendo os borbotões de lufadas multidirecionais
Temendo o engrossar da chuva
Que engrosse mesmo!
Aí seria algo grandioso a temer
(não esse chuvisqueiro criança sádica
que lhe cutuca e atormenta e dá sorrisos malvados)

...

Você chega em casa, casaco ornado de brincos d'água 
Não tem café, não tem alívio
E a saraivada líquida debochando de você pela janela
"Você não está de férias..."

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