domingo, 16 de junho de 2013

Sobre os Cães do Estado

Esses policiais são cachorros, cachorros adestrados. Mas eles são mais decadentes que os cachorros. Os cães, para se tornarem bons obedientes, precisam receber uma boa recompensa. Esses policiais são vira-latas acuados que nem boa ração recebem. O cão, quando ameaçado, agredido, humilhado, se torna acovardado ou se rebela e morde o próprio dono. Esses homens e mulheres, com suas fardas e cassetetes, protegem e se submetem aos seus maiores inimigos pessoais. Salários ridículos, porcas condições de trabalho, e a vida (sua e dos seus) sempre ameaçada por um tiro que venha de qualquer lugar, e esses senhores agridem a quem está numa mesma situação que a sua. Eles não percebem, esses policiais, que, ao reprimirem violentamente a população quando essa se manifesta, estão mordendo o próprio rabo. Essa polícia é a matilha que recebe lavagem para comer, e ainda ataca os gatos que lambem as espinhas de peixe das lixeiras de seus amos. Eles não enxergam que protegem os próprios carrascos? É como que, com o pescoço na enforcadora, dentassem àqueles que se aproximam do condutor da carrocinha. Não, isso é deprimente. Isso é patético. Esses policiais causam, além de indignação, uma vergonha alheia a quem quer que esteja olhando de fora. Se não podem usar sua inteligência, usem seus instintos, suas intuições - os cachorros fazem... Esses policiais podem, sim, enxergar e sentir a coleira apertada que lhes é imposta. Ora, são cães guiáveis por cegos? Nem sempre aquele que lhes alimenta preocupa-se com sua saúde. Nesses casos, a carne de sua refeição não passa de fétida carniça. Esses policiais são cachorros, que precisam urgentemente transformarem-se em humanos, antes que seu destino sejam canis, ou passem a poder andar por aí somente sob o uso de focinheira. Em muitas ocasiões, esses policiais viraram sabão...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cidade Túmulo

Minha cidade é um túmulo
Onde as múmias jazem ainda vivas
E morrem elas dia a dia 
Nesse esquife empoeirado e sufocante
Convencidas e condicionadas
De que descansam confortáveis
Num sarcófago de ouro 

Ah, múmias cantantes
Ambulantes só por bálsamo
Ainda trovam aos quatro cantos
Que em privilégio de donatários
Aconchegam-se em pirâmides

Por sorte, não deparam com esfinge
Pois não decifram mesmo a si