quarta-feira, 20 de março de 2013

Só as Melhores

Pancrácio tinha dúvidas quanto a comer muitas mulheres na sua socialmente necessária carreira vital de homem sexualmente bem-sucedido pois, era astuto, ambicioso, atrevido, era exigente e só queria as melhores, e essas são só meia-dúzia. Não ocuparia qualquer vagina, nem lhe apeteceria, e ainda faria feio diante da moça porque, se não sentisse paixão adoidada, perderia o tesão, e viraria piada nas bocas gastas por palavras idiotas e falos quaisquer... Era meio arrogante, o sujeitinho, e só se dignava competir com no máximo também meia-dúzia de eruditos adversários, do contrário pulava fora da briga antes de ela começar, e rebaixava a ninfeta (o objeto de disputa) à mera biscate com cabeça de vagina. Pancrácio se negava a divisões e comunitarismos, sua caridade e benevolência se limitavam a não esculachar essa miséria de gente vazia; a ser educado com as ralés, bem vestidas ou não, educação essa sempre regada a cinismo e deboche contido. O cara considerava nobre deixar a lavagem para os porcos, mas não lhes dizia nada desse calão, e ainda era esperançoso de que algumas meramente "comíveis" pudessem ser esculpidas pelos dedos de um hábil artesão. Ele não gostava de filosofar - ou não queria, quanto ao assunto - então preferia não arriscar deixando nas mãos da vida, assim, tomava para si a bronca... O certo é que, de tão raras as mulheres de seu gosto - as mulheres de bom-gosto -, o homem apelava à sua imaginação fecunda, uma imaginação que trabalhava bem, ia a pontos distantes e voltava para ali no mesmo segundo, deixando-o por vezes aéreo e remoto, decerto nos braços de uma dessas mulheres melhores, ou mesmo de duas, essas damas altivas, que tal ele escolhem com critério, contudo mais minuciosamente ainda pelas opções serem escandalosamente mais escassas, mas evitava qualquer boca de vulva poetisa... Não, provavelmente Pancrácio não comeria muitas mulheres ao longo da vida...

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