terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Poema não Escrito


Há dias não escrevo um poema
Que se há de fazer, então?
Simplesmente escrever?
A caneta na mão, o Aurélio na mesa
Palavras complicadas (só para aparecer)
Jargões diversos...

Sentido? Dispensáveis
Alguma coisa tem que ter concordância
Mas dane-se o que a coisa quer dizer
Qualquer filosofia é profunda
E qualquer profundidade é maluquice

E se eu mandasse um 
"Morena branca, do peito ardente
Que a mão em garra, arranha a nuca
Morde o lábio, as coxas quentes
Doidivanas, puta, gata maluca"

Não, não estou inspirado
Deve ser porque ando meio feliz
Não tão funesto como de costume
Também não tão radiante 
Só relaxado, vadio

Alguma coisa tem que estar doendo em mim
Se eu quiser produzir algo que preste
Ou só o que faltava 
Ficar à mercê de alguma iluminação etérea
Alguma musa...

Não, é sem escrever essa noite
Vou fumar e deitar e talvez leia um pouco
Seriam os mais belos poemas
Aqueles que ficaram calados?
Uns não saíram ao além-boca
Porque eram simplesmente indizíveis...

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