terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Bom mesmo deve ser ser louco


Bom mesmo deve ser ser louco
Ficar por aí, num quarto, numa sala 
Na mente
Poder transformar um corredor de hospício
Numa estação de trem
Tornar uma enfermeira em prostituta
Ou em vovó
Ver um médico virar garçom 
Um psiquiatra, um palhaço
Um psicólogo, um palhaço
A seringa se metamorfoseando em canudinho
Os coquetéis químicos, gostosas champanhas
As baratas, gatinhos
As ratazanas, cães de guarda
Lavagens intestinais a ser massagens internas
E os choques elétricos como montanhas russas
Assim como os quartos acolchoados
Parques de diversão
E então, vai-se ao pátio
E vê-se a Europa, ou a Índia
Interagir com os companheiros de insanidade
Mestres oradores, heróis, paladinos, Napoleões, vilões
Vilões admiráveis, vilões detestáveis
Vilões ameaçadoramente geniais... Neros
E quando da lobotomia, revoluções homéricas
"Comadres" e penicos sendo elmos reluzentes
Grécias repelidas, Helenas conquistadas
Deuses de um lado, homens de outro
Mulheres em baixo, mulheres em cima, de lado
Almofadas viram mulheres
Colchões desposados como noivas
E a morfina que rende o corpo
Lá num canto inatingível da mente
Liberta o espírito
Tudo é loucura, mas tudo é sentido
É vivido
É... Bom mesmo deve ser ser louco

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