quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Príapo Deus


Quando da volta vitorioso em batalhas
Vem Dionísio, das Índias, arfante
Deita-se nu, sob helenas malhas
Em lençóis olímpicos de deusa amante

Do coito quente radiado em divino
Entre seios e fluidos da filha de Zeus
Aos olhos de Cronos, nasce menino
Viril e fértil um esdrúxulo deus

Príapo cresce, e consigo, a tara
De touro bufante, sempre rijo membro
Másculo músculo, pétrea vara
Nem lhe amiúda, o frio de Dezembro

Anda Príapo a exibir o sexo
Batendo, esfregando, encostando o falo
Em ninfas, mulheres, pretende-se anexo
Com gancho carnoso, então duro calo

Por entre as pernas, a lança em riste
Príapo deus, nem se encabula
Mesmo diante sua mãe, Afrodite
O deus safado, por ela ejacula

Às frias águas do Helesponto
Manda-lhe a mãe, a libido acalmar
Tesão de macho, explodindo em confronto
A pila de Príapo quase a estourar

Libertino deus, de glande latente
Nem o Helesponto abranda o fervor
E o povo dali, antes contente
Repudia o almíscar de macho, odor

Todos os homens querem-lhe embora
Mesmo às mulheres, Príapo assusta
Ofende o pudor, acariciando a tora
Envernizada, roliça, haste robusta

Filho mimado, da mãe tem o colo
A qual, irada, apela à pestilência
Leva-se o deus, no Estreito, a tiracolo
Suportando seu cheiro e sua indecência

Príapo deus, aos Homens, discrepa
Príapo deus, nem bom nem mau
Em tantas raparigas, goza e trepa
Em tantos rapazes, lhes mete o pau

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