terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um Amigo me Contou...




Um amigo me contou de uma ocasião em que foi ao aniversário de um amigo dele, o qual não visitava havia algum tempo. Como fazia quase um ano inteiro que não se viam, meu amigo chegou um tanto encabulado na festa. Disse que não tinha um centavo no bolso, esquecera-se de aparar a barba, projetava uma espinha enorme na testa, e uma dor de barriga o incomodava desde de que atravessara portão de casa.

A família de seu amigo - e de sua esposa - estava presente. Até as mulheres eram grandalhonas (uma delas lhe cumprimentou com dois beijinhos dando-lhe "caradas" violentas em suas bochechas), por isso, ele ficou um pouco desconsertado durante a primeira hora da comemoração. Não queria parecer abusado, então, de início, bebeu pouco por não visitar a geladeira frequentemente. 

Ele começou a se sentir mal, numa angústia sem explicação, não conseguia entender o motivo de seu pequeno sofrimento, então, passou a ser mais cara-de-pau e pedir que lhe buscassem cerveja, para aliviar a ansiedade. De repente, notou que seu amigo e a mulher dele saíram de casa e foram até a rua. Meu camarada não quis olhar para baixo da sacada - pois estavam no 5º ou 6º andar de um prédio - porque não tinha curiosidade de saber o que aquele casal havia ido fazer na calçada. 

O tempo foi passando e nada de os dois voltarem à confraternização. No peito de meu amigo, a tensão não cedia. O papo rolava entre os presentas na varanda, mas ele nem mais prestava atenção, de tão nervoso. Ele continuava incomodado com algo indescritível, e estava tão ansioso, que ironicamente até sua dor de barriga passou. Me contou, depois, que não fazia ideia do quê lhe perturbava. Até que resolveu olhar para baixo e tentar descobrir o que se passava na rua. Disse que um gelo em seu estômago o fez corar quando percebeu que uma ex-namorada sua - a que mais lhe marcara - estava lá falando com seus amigos, acompanhada de seu novo namoradinho, o qual meu amigo costumava chamar de "barata tonta com miopia exageradamente denunciante", ou algo do tipo. Ele não quis olhar por muito tempo, evitando qualquer saudade e sofrimento, mas, contou que uma coisa o impressionou. Relatou ter ficado embasbacado que a guria continuava gorda e com aspecto de fedorenta, tipo com cara de encardida. Quando ela estava com ele (e eu bem me lembro disso), não costumava ter problemas com a aparência da tal. Pelo contrário, dizia-lhe muito bonita. Eu, particularmente, achava-a bem gostosa, e por conta disso, falei para ele que não dissesse aquilo dela. Quanta grosseria irônica. Dizer com um riso sarcástico que a mulher fede. Com uma represália amistosa, lembrei-lhe do bicho feio que era, no que ele riu, respondendo: "Que homem não é?".

O casal de amigos voltou, sozinho, pois, nas palavras de meu colega, de certo sua ex e seu namorado mosca-morta (outro apelido) não quiseram ver sua cara insuportável. Mas seu amigo trazia na mão direita uma garrafa de um belo uísque com o qual fora presenteado por aqueles dois. Já estava fincado bem bêbado - me assegurou - que não passava outra coisa em sua mente, daquele momento em diante, que não fosse provar uma(s) dose(s) do fino trago. Queria ter o prazer de gigolear a antiga amante novamente, fato que ocorreu durante todo o seu romance com a dita. 

Não aconteceu de tomar o uísque venenoso, mas foi atrevido em pedir. A noite rolou divertida, e ele se sentia mais tranquilo ao pensar que não tinha perdido grande coisa para o "surfista calhorda" (mais uma alcunha): "A moça estava um caco...". Bebeu todas, e foi cambaleando para casa. Mas estava de certa forma radiante, e antes de pegar o rumo de casa, passou em um outro amigo para contar-lhe a respeito, mas o mesmo não lhe atendeu, depois de berros. Disse que achou que o cara estava drogado, enfim... Foi para casa e agradeceu (sei-lá a quem, ou a o quê) por ter se livrado de um "bagulho", tomou mais uma cerveja que tinha na geladeira, e dormiu sossegado...

Esse meu amigo é um verdadeiro nojo, um jaguara que nada vale... De qualquer forma, o admiro, pois o desgraçado sempre dá um jeito de, pelo menos, se convencer que é feliz...

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