terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Amor é um Inferno


O amor... O amor é uma maldição, uma praga. Talvez seria melhor que fôssemos frios tal qual os animais, e somente procriássemos para perpetuar a espécie. A gente tem sempre só um amor, e é logo aquele que fica pulando de amor em amor, nos abandonando, ou ameaçando abandonar. Então temos que ficar sempre atentos, dormindo com um olho fechado e outro aberto, na espreita, cuidando para não perder o amor. 

O amor é um inferno, que nos queima e nos derrete. Estamos sempre pensando em amor. E quem não está amando, espera por amar. Mas a única garantia que se pode expectar é a decepção. Então ficamos ali, reféns do imprevisível, que tão visível é. Tomara Freud estiver certo, e o amor seja apenas a representação que nossa mente faz daquilo que imaginamos ser perfeito. Pois, dessa forma, podemos ter esperança de inventarem um remédio que nos cure da doença do amor.

O amor, um sentimento simbolizado por uma palavra que já está bastante deturpada a beirar o ridículo, é o que nos motiva mas atormenta. Nos causa euforia no momento de sua prática, vicia a gente, mas vai embora a qualquer hora, ou de repente, nem aparece mais. Queremos o prazer de amar, mas por que que temos que ser escravos desse demônio? Ter de bajular o amor, acariciá-lo, agradá-lo, porém a medida tem que ser exata, pois ele pode parecer grudento, apelativo e nauseabundo...

Viver o amor é ter sempre o coração na mão. É dormir todas as noites ao lado da incerteza. E para não ficarmos loucos, acalmamos nossas mentes, para que seja possível ter um sono sossegado. Para que os pesadelos não ultrapassem o reino de Morfeu. Mas aí, vai-se embora de novo, o amor. Dessa vez, ofendido, indignado, irritado, acusando-nos de displicência, e cobrando-nos por estarmos ausentes.

O amor é o monstro que alimentamos do próprio peito, e deixamos viver na gente como um parasita, responsável pela mais dolorosa peste que nos assola...

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