quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Obediência não é Respeito

A confusão entre obediência e respeito é muito grande. E o engraçado é assemelhar antônimos. Quando um filho obedece ao pai, é pelo medo do tapa, do castigo. Mas vem a respeitar, quando o genitor lhe causa admiração, segurança. Na escola, o aluno obedece, pois está sob a ameaça da nota vermelha, da represália por meio da reprovação, todavia, tende ao respeito quando o meste lhe atenua o incômodo do não saber, através da elucidação. Quando se fala em leis, daí então, tem-se um aglomerado de obedientes, que as seguem pela tensão causada por conta do temor à punição. Porém, quantos as respeitam por si próprios, compreendendo-as como um acordo a evitar abusos de uns para com os outros? Obediência não é respeito, não. Obediência é submissão, é imposição feita de alguém que está "acima", por algum motivo, sobre, obviamente, um que não dispõe de certa ferramenta (arma) tal qual o opressor. Obediência é um desrespeito. César venceu Pompeu porque seu exército lhe tinha respeito. Suas tropas eram bem menores que as de seu oponente, no entanto, os soldados lhe admiravam, ao passo que Pompeu impunha o medo a seus guerreiros, lhes determinava a obediência, lutavam com pavor do inimigo e do comandante. A obediência é corrupta, mal caráter. Ela é a sobreposição da imbecilidade à ignorância. O respeitoso é, em verdade, um desobediente, e o respeitado, desobedecido por si, além. Os respeitáveis são aqueles a quem ninguém obedece, pois, já o são, exatamente porque estão libertos da tosca necessidade de serem obedecidos. Como são dignos de respeito, respeitam. Entendem a satisfação que é o respeitar, propriamente dito. O captam como a sua essência intrínseca de espontaneidade, como algo vindo de dentro e exposto como uma vontade do impulso, da naturalidade de querer respeitar. Já o obedecer, é como uma estaca fincada pela mão do externo. É pontiagudo e dolorido, quando não soca como uma marreta, e desacorda o sujeito, de seus sentidos. Obedecer é horrível, é nauseante, é ultrajante. Agora, respeitar é uma delícia. Deveria-se provar, pra se ver o quanto é bom. Faz-se questão de respeitar. O indivíduo sente-se respeitado por si mesmo. Alivia o que de tenso, coça. Esvazia o que está na hora de sair. Obedecer é um lixo, mas respeitar chega a dar um tesão...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Quer casar comigo?


Ó, que legal
Pedra, aro, metal
De amor, arremedo
Pele, carne, osso: um dedo
Brinca aqui, finge acolá
Vale tudo ao fantasiar
Chama-se todos, se vai dizer
Que paixão infinita, vai ser
Amor de verdade, não precisa
É normal que ela seja indecisa
Se vestido e fraque for vestuário
A paixão, então, fará 'niversário
Faz-se comida, espera-se o bolo
Ninguém admite que é tolo
Sorrisos e risos
Nos dentes os frisos
O amor se desdobra
Até pela pela sogra
Que tal ser feliz
Pra isso, chamariz
Vão-se todos pro céu
Começando a um anel

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cuidado com o Cuidado

O brabo é quando se pensa estar fazendo o bem, sendo extremamente cruel. É aquele papinho de "mal necessário"... Os maus não fazem maldade porque querem cometer o mal. Pelo contrário, pensam que estão fazendo o bem! Ou alguém tem dúvida de que Hitler viesse querer para si o título de maior monstro da humanidade? O cara não chegou lá e exterminou 6 milhões de judeus para ser condecorado o homem mais mau do mundo. É o que acontece com tipos que vivem aqui, do nosso lado, sacrificando pessoas como que sentissem-se no dever de "curá-las" de suas moléstias. Pagando de guardiões das integridades alheias. Olhando para si, e enxergando uma máscara de sofrimento pela dor "precisa" que inflige ao outro, sem se tocar que por de trás da socapa, existe realmente uma dúvida e um sentimento de culpa pela crueldade que se sucede. E nós mesmos podemos ser assim. Bancando os heróis, com medo. Brincando de sermos os paladinos, mas sofrendo com a vergonha embutida de estar fazendo tudo errado, e não ter o direito de zelar por ninguém. Cuidado com o zelo. É urgente que se tome cautela, quando de seu emprego. Ele pode virar cárcere, tortura, punição, e execução. Ele pode sair da fantasia de herói, e transitar para a realidade de carrasco!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Amor é um Inferno


O amor... O amor é uma maldição, uma praga. Talvez seria melhor que fôssemos frios tal qual os animais, e somente procriássemos para perpetuar a espécie. A gente tem sempre só um amor, e é logo aquele que fica pulando de amor em amor, nos abandonando, ou ameaçando abandonar. Então temos que ficar sempre atentos, dormindo com um olho fechado e outro aberto, na espreita, cuidando para não perder o amor. 

O amor é um inferno, que nos queima e nos derrete. Estamos sempre pensando em amor. E quem não está amando, espera por amar. Mas a única garantia que se pode expectar é a decepção. Então ficamos ali, reféns do imprevisível, que tão visível é. Tomara Freud estiver certo, e o amor seja apenas a representação que nossa mente faz daquilo que imaginamos ser perfeito. Pois, dessa forma, podemos ter esperança de inventarem um remédio que nos cure da doença do amor.

O amor, um sentimento simbolizado por uma palavra que já está bastante deturpada a beirar o ridículo, é o que nos motiva mas atormenta. Nos causa euforia no momento de sua prática, vicia a gente, mas vai embora a qualquer hora, ou de repente, nem aparece mais. Queremos o prazer de amar, mas por que que temos que ser escravos desse demônio? Ter de bajular o amor, acariciá-lo, agradá-lo, porém a medida tem que ser exata, pois ele pode parecer grudento, apelativo e nauseabundo...

Viver o amor é ter sempre o coração na mão. É dormir todas as noites ao lado da incerteza. E para não ficarmos loucos, acalmamos nossas mentes, para que seja possível ter um sono sossegado. Para que os pesadelos não ultrapassem o reino de Morfeu. Mas aí, vai-se embora de novo, o amor. Dessa vez, ofendido, indignado, irritado, acusando-nos de displicência, e cobrando-nos por estarmos ausentes.

O amor é o monstro que alimentamos do próprio peito, e deixamos viver na gente como um parasita, responsável pela mais dolorosa peste que nos assola...

domingo, 14 de outubro de 2012

Engasgo

Quando entra aquele farelinho de erva mate na boca do pulmão, a respiração causando o desconforto, até o olho dói, e nem força se tem para pigarrear. É um momento de sofrimento quase sem igual. Ninguém pode ajudar o cara. Quase o cara não pode se ajudar. Dependendo, não existe raciocínio nessa hora. São os impulsos nervosos que estão encarregados de fazer o serviço. À vítima só resta sentir a lágrima escorrendo até o maxilar. Mas não se pode desistir fácil. Com bastante concentração, é possível, sim, obter um mínimo de controle sobre a tragédia. Afinal, é só um farelo de planta moída, aspirado ao sorver o chimarrão; não é um naco de carne que entala, do tipo que um outro precisa encaixar-se violentamente por trás do indivíduo pressionando-lhe o abdome para desentalá-lo, como as crianças fazem - para ver disparando veloz como um tiro de canhão - com uma garrafa de plástico lacrada por uma rolha. O cérebro é um monstro dominável, se houver determinação. Com muito sofrimento, puxa-se violentamente o ar, a escória vegetal possivelmente invade o pulmão, mas sai logo depois, numa tosse barulhenta e forte, que vem acompanhada de assovio, voz gutural e, no pior dos casos, uma golfada a qual pode desencadear o desperdício da última refeição. Depois, tudo é bonança. Seca-se as lágrimas, engole-se o choro, e a respiração vai voltando devagar a ser aquela ação prazerosa... Com força de vontade, é possível adquirir o controle daquilo que mais pode vir a ser prejudicial na vida de cada um: os próprios impulsos...

sábado, 13 de outubro de 2012

Felicidade tem Limite

O quê?! Tu tens a audácia de querer ser feliz integralmente, em minha casa?! Que ousadia é essa de pensares que podes viver rindo aqui?! Pouco ou nada me interessa se não gastas do meu dinheiro para te embebedares; não quero saber de tantos sorrisos no meu lar. É uma falta de respeito cogitares ser alegre todo o tempo, de baixo do meu teto! Quantas vezes tenho que te deixar claro que não admito esse tipo de coisa na minha casa?! Regozijo? Vai procurar na casa das tuas putas! Não quero saber de divertimentos incessantes onde sou eu quem paga as contas de água e de luz! E não me vens argumentar que não quebras nem sujas nada. Por que tu teimas em querer ser feliz o tempo inteiro?! Por que tu não és como todo mundo, que aceita o desgaste cotidiano numa boa?! Por que tu não és como todo mundo, que acata passiva e religiosamente a dureza da vida?! Que atrevimento da tua parte querer se negar a isso, logo na minha residência, onde sou eu que ponho comida na mesa. Não queres dores e calos? Arruma tuas coisas e vai-te embora! Era só o que me faltava, um cara-de-pau que nem tu, entender que pudesse haver jeito de farrear na minha casa, alegando que não agride nem maltrata ninguém. Em quantas ocasões te deixei claro que festas se fazem vez que outra, e de forma contida. Tu extrapolas! Queres chegar ao máximo de gozo possível! Não tem cabimento. Ninguém é assim, cara! Aprende isso! Ficas aí, com essas manias de músicas e de artes, livros e comédias, cervejas e fumaças, enquanto os batalhadores do dia a dia suam para dar de comer aos filhos. Não, não onde moro! Aqui é uma casa de respeito, sofrimento e sacrifício, como manda Nosso Senhor Jesus Cristo - que Deus O tenha, amém.

Metaleiros, Punks e Roqueiros

Hoje em dia até os metaleiros são bonzinhos, os punks são politicamente corretos, e os roqueiros são contra as drogas. Os metaleiros estão cansados de Satanás, os punks se desgastaram de gritar, e os roqueiros aderiram às saladas. Os metaleiros se engajaram na causa animal, os punks são contra o voto nulo, e os roqueiros vão à academia. Os metaleiros assistem a desenhos japoneses, os punks frequentam saraus, e os roqueiros jogam futebol todas as terças. Os metaleiros passam horas no vídeo game, os punks escutam Radio Head, e os roqueiros assistem novelas. Os metaleiros são fãs de seriados americanos, os punks dão palestras em igrejas, e os roqueiros chupam balas "7 belo". Os metaleiros jogam RPG, os punks passam batom, e os roqueiros pedem leite no bar. Os metaleiros cantam rap, os punks usam gravata, e os roqueiros cortaram o cabelo e fazem topetinho com gel. Os metaleiros querem ser papais, os punks trabalham, e os roqueiros não trabalham, mas procuram emprego. Os metaleiros são riquinhos, os punks moram com a vovó, e os roqueiros criam York Shires para vender... Ou seja: os metaleiros são nerds, os punks andam com meninas, e os roqueiros são cabeças ocas. Isso não é preconceito, é conceito. É uma paz mundial - só o que faltava...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Gangue

Ai que das vezes em que fui fuzilado, amaldiçoado, perseguido e represado, decidi ler Qorpo-Santo para não estar sozinho; para me sentir em casa, protegido. Dissabores e podridão quanto me levaram a Quintana, Bukowski, Nietzsche, e toda uma leva de gentes condenadas a párias sem perdão. O difícil estar por aí dos leprosos sociais mendigando o que não se recebe sem bengaladas nas têmporas. Quando por isso me junto às cobras velhas citadas e mais umas outras. A convite de Voltaire e do Marquês de Sade, a comungar dos manjares intelectuais e artísticos antes das cicutas que outrora trouxeram alívio aos porcos muito pertinentes. Me abraço à militância com esses velhos mestres, como que numa horda unida para também agredir, sem ter outra escolha - no caso de ser atacado. Eu que me vejo a ser punido por ser aberração do tempo, então mordo acompanhado por matilha. Por entre os gênios da História, que passaram a pão e água nas mãos dos bonitinhos feitores uniformizados, andaram Morus a anarquizar; Maquiavel a maquinar; e Gregório de Matos - o Boca do Inferno - a resmungar. E ando sem companhia nas vielas do relógio, que não a presença desses mortos que nunca morrem, frustrado, sim, infeliz, também - e obviamente - , enxergando só crendices em contraponto à lógica, sentindo o cheiro da burrice que limita todos ao comum... Ainda rindo das abobrinhas acerca de mim mesmo, como que sem conhecerem-se a si, sabem da minha pessoa e não sabem nem quem são as próprias mães. E me dizem, como disseram a Kant, que não gostam de mim pelo que sou, e respondo que sei mas não me alardo, enquanto todos dão importância ao que digo, embora me odeiem. Então me perco em elucubrações, solitário na escrivaninha, acompanhado pela nata da humanidade, homens todos do século passado para trás, homens todos imunes ao tempo, sábios sentadinhos nas prateleiras, sussurrando aos meus tímpanos palavras incontáveis mas preciosas, dividindo comigo o que não dividem com o resto, unindo-se a mim, numa gangue imbatível e destemida, incentivando-me a me agarrar na solidão tão mais querida e agradável que as más companhias as quais não me tragam nem com cachimbo nem com filtro.

Só se Ofende, Quem se Ofende


Ué, era só o que faltava... Publiquei um texto há algum tempo (até bem antigo, escrito à mão durante uma viagem de ônibus), contando um ocorrido com um conhecido, e as pessoas leram, tiraram suas próprias conclusões, e algumas tomaram para si como ofensas. Não citei o nome de ninguém, nem apelido, nem codinome... Nada. Nada que identificasse especificamente qualquer um. Os únicos pseudônimos aos quais me referi foram os que particularmente esse amigo costuma chamar a um determinado indivíduo (que também teve sua identidade preservada). Casualidades parecidas, às vezes acontecem. Mas vamos com calma. Para o bom entendedor, meia palavra não basta, não! Para o bom entendedor, aquilo que ele acredita não significa que necessariamente seja. Nossos sentidos muitas vezes nos enganam. E a razão, também. Espero estar errado quanto à minha ideia de que uma certa pessoa veio a se convencer ferrenhamente de que eu estava a falar dela. Não quero acreditar que a mesma se manifestou publicamente num tom de assumir-se ser a personagem da trama! Tomara ela não esteja se identificando com as pessoas da paródia em questão. Mas quem se identificar, que procure não se expôr. Tadinha, tão queridinha... Confesso que me senti um tanto mal por isso. Mas quem se assemelhar, jamais poderá ameaçar a minha integridade! As pessoas subjetivam o que observam, concluem absurdos, e reagem com medidas extremamente reprováveis. 

Não é a primeira vez que me incomodo por causa do que escrevo. O que está acontecendo: os sujeitos se ofendem com expressões sem direcionamento específico, e tornam-se agressivos com palavras (se der sorte) e/ou com violência física. No meu caso, temo mesmo, a segunda opção. Vocábulos não me perturbam. Se me identifico com algo que escrevem e não venho a concordar, replico com humor e risadas. Só que na nossa sociedade, parece que o humor continua proibido. O sarcasmo está sendo perseguido implacavelmente, resultando no banimento de pessoas espirituosas, as quais dão vida à própria vida. Tem sido comum vermos o ostracismo daqueles que riem da própria tristeza; risos esses que são confundidos com o deboche ao sofrimento de outrem. Mas são as coisas da vida. Às vezes temos que arriscar o couro. 

Francamente, não estou arrependido de ter publicado esse texto. Estou chateado por tê-lo apresentado onde o público não é apto a lê-lo. Estou um tanto irritado com a minha ingenuidade de pensar que as pessoas (em sua maioria) estão prontas a depararem com certas ocasiões. Haja vista que existem coisas que irão desagradar a todos, isso não quer dizer que não devam ser ditas. Quem vestir carapuças, é porque realmente é miolo mole. Por isso, já deixo avisado que continuarei escrevendo e divulgando. Ironia e escracho, são coisas que sucedem. Admiro o pensamento de que humor permanente é sinônimo de inteligência extrema. E quando se manifestarem, cuidem para não se mostrarem tão patéticos quanto o Agnaldo Timóteo chorando na votação municipal...

Um Amigo me Contou...




Um amigo me contou de uma ocasião em que foi ao aniversário de um amigo dele, o qual não visitava havia algum tempo. Como fazia quase um ano inteiro que não se viam, meu amigo chegou um tanto encabulado na festa. Disse que não tinha um centavo no bolso, esquecera-se de aparar a barba, projetava uma espinha enorme na testa, e uma dor de barriga o incomodava desde de que atravessara portão de casa.

A família de seu amigo - e de sua esposa - estava presente. Até as mulheres eram grandalhonas (uma delas lhe cumprimentou com dois beijinhos dando-lhe "caradas" violentas em suas bochechas), por isso, ele ficou um pouco desconsertado durante a primeira hora da comemoração. Não queria parecer abusado, então, de início, bebeu pouco por não visitar a geladeira frequentemente. 

Ele começou a se sentir mal, numa angústia sem explicação, não conseguia entender o motivo de seu pequeno sofrimento, então, passou a ser mais cara-de-pau e pedir que lhe buscassem cerveja, para aliviar a ansiedade. De repente, notou que seu amigo e a mulher dele saíram de casa e foram até a rua. Meu camarada não quis olhar para baixo da sacada - pois estavam no 5º ou 6º andar de um prédio - porque não tinha curiosidade de saber o que aquele casal havia ido fazer na calçada. 

O tempo foi passando e nada de os dois voltarem à confraternização. No peito de meu amigo, a tensão não cedia. O papo rolava entre os presentas na varanda, mas ele nem mais prestava atenção, de tão nervoso. Ele continuava incomodado com algo indescritível, e estava tão ansioso, que ironicamente até sua dor de barriga passou. Me contou, depois, que não fazia ideia do quê lhe perturbava. Até que resolveu olhar para baixo e tentar descobrir o que se passava na rua. Disse que um gelo em seu estômago o fez corar quando percebeu que uma ex-namorada sua - a que mais lhe marcara - estava lá falando com seus amigos, acompanhada de seu novo namoradinho, o qual meu amigo costumava chamar de "barata tonta com miopia exageradamente denunciante", ou algo do tipo. Ele não quis olhar por muito tempo, evitando qualquer saudade e sofrimento, mas, contou que uma coisa o impressionou. Relatou ter ficado embasbacado que a guria continuava gorda e com aspecto de fedorenta, tipo com cara de encardida. Quando ela estava com ele (e eu bem me lembro disso), não costumava ter problemas com a aparência da tal. Pelo contrário, dizia-lhe muito bonita. Eu, particularmente, achava-a bem gostosa, e por conta disso, falei para ele que não dissesse aquilo dela. Quanta grosseria irônica. Dizer com um riso sarcástico que a mulher fede. Com uma represália amistosa, lembrei-lhe do bicho feio que era, no que ele riu, respondendo: "Que homem não é?".

O casal de amigos voltou, sozinho, pois, nas palavras de meu colega, de certo sua ex e seu namorado mosca-morta (outro apelido) não quiseram ver sua cara insuportável. Mas seu amigo trazia na mão direita uma garrafa de um belo uísque com o qual fora presenteado por aqueles dois. Já estava fincado bem bêbado - me assegurou - que não passava outra coisa em sua mente, daquele momento em diante, que não fosse provar uma(s) dose(s) do fino trago. Queria ter o prazer de gigolear a antiga amante novamente, fato que ocorreu durante todo o seu romance com a dita. 

Não aconteceu de tomar o uísque venenoso, mas foi atrevido em pedir. A noite rolou divertida, e ele se sentia mais tranquilo ao pensar que não tinha perdido grande coisa para o "surfista calhorda" (mais uma alcunha): "A moça estava um caco...". Bebeu todas, e foi cambaleando para casa. Mas estava de certa forma radiante, e antes de pegar o rumo de casa, passou em um outro amigo para contar-lhe a respeito, mas o mesmo não lhe atendeu, depois de berros. Disse que achou que o cara estava drogado, enfim... Foi para casa e agradeceu (sei-lá a quem, ou a o quê) por ter se livrado de um "bagulho", tomou mais uma cerveja que tinha na geladeira, e dormiu sossegado...

Esse meu amigo é um verdadeiro nojo, um jaguara que nada vale... De qualquer forma, o admiro, pois o desgraçado sempre dá um jeito de, pelo menos, se convencer que é feliz...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Nós, os Sapos

Não venham com essa cafonice de príncipes, a onda agora somos nós, os sapos... Estamos disponíveis para diálogos. E nosso alvo não são necessariamente as pererecas. Queremos tudo o que uma princesa pode proporcionar. Também aceitamos rainhas, condessas, duquesas, fadas e bruxas... Um recado para as vampiras: nem pensem em nos sugar, somos bastante venenosos. Somos exigentes quanto ao recheio - não mais nos satisfazemos comendo moscas...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Para Sempre


Desse amor conquistado
Amor de duras penas
Sofrido e chorado... saudoso
Mesmo antes do início
Findado num eterno para sempre

Fomos choros de alegria
Amor meu, eu teu naquela hora
No tempo, fantasia, imaginar de tudo
Até a dor era bonita
Tu, tão bonita a me amar

Teu carinho tão caro
E eu paupérrimo a ganhá-lo
Inseguro, fraco e medroso
A te beijar com o que tinha
Só tinha amor naquelas horas

Quantos risos dei de ti
Da graça que te achava
Quantos risos deste a mim
Por graça que te ornava
Desse amor que só me lembra

Tanto amor tinhas por mim
Que o queria para mim, apenas
Tua atenção me era valorosa
Teu respeito me valorizava
Então o medo me assombrava

Meu ciúme era loucura
Temia até o passado
O coração se machucava
A razão te machucava
E tu buscavas ainda a cura

Inferioridade e angústia
Me tomaram a desespero
Mas teu colo tão querido
Aconchegava minha cabeça
Oca, por de certo

Saudades do teu sorriso
Supremo ante a idiotice
Do meu ego imbecil
O descontrole de um eterno tolo
Que hoje é só lamento

Sem contar as ilusões
De viver outros amores
E quis tanto a solidão
Tanto a "liberdade"
E agora te queria mais ainda

O desgaste da insistência 
A paciência quase infinita
Os vícios então implacáveis
Foram decisivos quanto a nós
Implicaram-te a decidir

Quantas foram minhas gabolices 
Fingindo para mim, ter força
Todas as risadas de escárnio
Dignas de nojo e desprezo
Por quem pensa que é melhor

Nem os sorrisos haviam mais
Os carinhos já eram raros
Da minha parte, fazia tempo
E os últimos suspiros de amor
Foram sob delicados lençóis

Tu tinhas que ser feliz
E não serias dessa maneira
Deitando ao lado de um adversário
Que de tanto amor, invejava-te
De tanto amar-te, irava-se

Foi quando virei inútil
Descartado inevitavelmente
Substituído por um mais apto
De natureza mais vencedora
Contrária à minha face decadente

Me encontrei em pesadelos
Em ansiedades noturnas
Vaguei pelos pântanos da loucura
Numa tristeza inédita
Por estares feliz sem minha felicidade

Dei-me o direito de sentir traído
Largado pelo meu apoio
Abandonado pela minha vida
E despertava em revolta
Esperando a catástrofe mover o mundo

Quantas vezes amaldiçoei-te 
Ensaiei em mente o que diria
A quem considerava hedionda
Se encontrasse adiante
Nas andanças por aí

Mas a dor já foi passando
Eu melhorando ao aprender
Dando tantas gargalhadas
Ironizando e escrachando 
Tão feliz, que o triste é lindo

Esquecer acho que não vou
Às vezes tenho alguma raiva
Mas hoje te daria um abração
Só que amanhã, já te odeio, de novo
Mas amar... amo-te sempre...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Violência em Prol de Nada


A questão não é fazer campanhas contra a violência infantil. A questão é existirem manifestos contra a violência. Pouco adianta proteger as crianças, se seus pais continuam batendo e/ou apanhando. O que é preciso fazer é dar oportunidades às pessoas de não serem brutas, desde cedo. Não adianta colocar as crianças numa redoma de vidro, pois o vidro é transparente, e através dele, os filhos observam os adultos resolvendo seus problemas no tapa. 

É incrível - ou deveria ser - que ainda hoje exista no senso comum a ideia da beleza dos murros. Vez que outra, vê-se nas redes sociais a naturalidade de alguns ao postarem incentivos ao animalismo, em tom de humor. Quantos já divulgaram frases do tipo "ainda bem que não tenho uma arma, senão...", ou "tem gente, que só uma metralhadora resolve...". São esses mesmos que, próximos à data comemorativa dedicada às crianças (deixemos bem claro), espalham mensagens de amor e tolerância aos pequenos. Mas quando um pivete comete uma banalidade, caem de pau em cima do guri, exigindo que o mesmo seja punido como um adulto. O delinquentezinho deve ter ouvido sobre não maltratar as criancinhas. No entanto, viu nos adultos (e nas novelas) como se deve resolver delicadas questões.

Violência não tem graça. Nem com criança, nem com mulher, nem com velho, nem com homem... Nem com nada. O cachorro morde, o cavalo coiceia, o touro chifra, porque não conhecem palavras. Se as resoluções não acontecerem por meio de diálogos, as crianças protegidas na infância estarão arrancando dentes umas das outras quando forem adultas pois, quem não se deve agredir são as crianças, os alvos dos protestos contra violência...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Carnívoros "Greenpeace"


Eu não sou vegetariano, pelo contrário, sou bem carnívoro. Admito que aprecio demasiadamente carnes de todos os tipos: bovinos, ovinos, aves, peixes, moluscos... Inclusive, tenho apreço mesmo pelas carnes mal-passadas (pingando). Mas, ainda assim, sou contra o maltrato aos animais. 

As "campanhas" vegetarianas vêm tratando o consumo de carne pelos seres humanos como algo não natural. O Homem é carnívoro porque há algo na carne do qual ele necessita para sua saúde. A humanidade não come madeira, pois sua biologia não carece. Do contrário, teríamos algo a mais em comum com os cupins. 

O fato de eu apreciar e comer carne não significa que seja indiferente ao bem estar dos animais. Sou veementemente avesso ao seu sofrimento. Eu como o material de seus corpos já abatidos, porém não os torturo. E com certeza me negaria a alimentar-me da carne de um bicho antes torturado. A questão de se os abatedouros submetem os animais a suplícios não tem a ver com aqueles que comem carne. Tem a ver com as ditas autoridades. Elas são quem tem o dever de fiscalizar se isso acontece.

Os animais, de qualquer maneira, morrem. E onde não há amadorismo e displicência, eles são muito bem tratados até o momento de seu abate (ora, até sua carne perde qualidade quando de seu sofrimento). E perecem de forma tranquila, mesmo se comparada sua morte por abatimento, com seu falecimento natural - de velhice, com a falência dos órgãos, pouco a pouco. A maior parte das brutalidades acontecem com bichos que nem estão no nosso cardápio, mas nas ruas, nos circos, nas exposições fúteis de mascotes - com as apurações de raças - , na confecção de cosméticos, e nesses rodeios patifes...

De qualquer forma, ainda acho nobre a luta daqueles que se abstêm de carne e optam por vegetais para evitar o martírio dos animais - ainda que muitos se alimentem de vegetais os quais tubérculos, são raízes, que, depois de retirarem-nos da terra, acabam por causar a morte de seres vivos, porque, sim, os vegetais são seres vivos, tanto quanto os humanos. 

Pode ser que minhas palavras pareçam um tanto frias, em se tratando desse assunto. Mas é preciso deixar claro que não necessariamente deve-se abandonar os hábitos carnívoros para se alegar contrário ao maltrato aos animais. Eu sou contra qualquer tipo de sofrimento - mesmo que façam parte de minha alimentação - quanto aos animais, os vegetais, e os seres humanos, que para mim não passam de animais à sua maneira...