sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Crianças e Pesquisas: Fora da Política


Se utilizar de crianças em campanhas políticas é apelação. É coisa de quem quer estar no poder a qualquer custo. Ter esse desejo desenfreado de governar é no mínimo suspeito. Daí, aparecem as criancinhas, com suas vozezinhas no início do desenvolvimento, dizendo "meu pai vota no fulano", "minha mãe prefere o sicrano"... Sem ser duro com elas, que nem sabem o que estão fazendo - são isentas de qualquer papel de ridículas - , só se pode dizer: "queridinhos, pouco importa em quem seus pais vão votar. Escolhe-se um candidato pelo próprio poder de discernimento. Cada um é capaz mental e individualmente de fazer as escolhas sem depender da influência de outrem...".

Aproveitando o tema, uma coisa intrigante em períodos de eleição é a utilidade democraticamente positiva das pesquisas de voto. Qual é a necessidade delas, que não seja a mesma que a dos pedidos dessas crianças? A resposta só pode ser: manipular as faculdades dos pobres de mente. Controlar o poder de voto dos indivíduos que não ousam pensar por si. É o errôneo conceito de que democracia significa seguir o que o rebanho - que pensa sob as escolhas de um pastor - decide. O conceito das "maria-vai-com-as-outras". Isso também pode ser entendido como tirania: a Ditadura da Massa. Democracia é a defesa do direito individual sobre si. Pensando dessa forma, logicamente cada um é impedido de exercer sua liberdade até ultrapassar a liberdade alheia. Assim, da mesma maneira que ninguém pode me impedir de fazer de mim o que quiser, eu estou automaticamente proibido de violar o direito de autonomia de outrem. Pode parecer um tanto egoísta, mas naturalmente isso resulta num acordo comunitário...

Uns dirão que as pesquisas de voto servem para informar o eleitor de como está o andar da carruagem. Ora, pra quê saber? O que importa é o resultado. Sabemos que ao longo da história da democracia, a vontade da maioria não necessariamente significou a melhor escolha. Houveram tempos na Grécia Clássica em que foram os Tiranos os libertadores dos cidadãos, pois os eleitores faziam demasiadas más escolhas. Pouco ou nada interessa quem está em 1º, 2º ou 3º lugar; o cidadão escolhe pela proposta, não pela porcentagem. Isso não é como no futebol, que o clube com mais torcedores seduz por isso mesmo quem ainda está em cima do muro, por conta da vaga ilusão de se estar protegido em meio à maioria. A massa escolhendo o pior, dá prejuízo. É óbvio.

As pesquisas atiçam o comportamento primitivo que temos de seguir o bando. Mas talvez o que vem a diferir os seres humanos das hienas e dos cavalos, além da estrutura física e biológica, seja o controle das opções próprias que na nossa espécie cada indivíduo é capaz de ter. Logo, vamos deixar as crianças de fora disso. Não sejamos egoístas e corruptos ao ponto de transformá-las em marionetes desde cedo. E outra: deixemos de ser tolos e achar as coisas bonitinhas só porque vêm das vozes finas dos nossos filhos e dos filhos dos outros...

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