quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Mostro SIST


De quando em quando, retiro - pra mim mesmo - o que costumo dizer sobre os políticos. Me permito até mesmo pensar que tudo de podre que acontece nesse círculo, não necessariamente é consequência voluntária e/ou indiferente dos indivíduos em si. Liberto-me do triste conceito de corja a que estou acostumado a ter em se tratando desses infames representantes da Sociedade. E me atrevo até a ser otimista pensando que há, sim, aqueles que pretendem fazer a diferença. Todavia, esses nada fazem; nem têm poder algum; são os mais fracos, inúteis, derrotáveis, e por fim, sufocados até a morte de suas vidas públicas.

Muitos dos que adentram o vale sombrio da política, carregando suas instáveis velas para tentar iluminar a penumbra cavernosa que o assombra, têm suas chamas facilmente extintas pelo sopro debochado e leve do tenebroso monstro que habita esse covil. Mas o bicho pernicioso ainda lhes dá uma tocha embebida em neon para que possam andar sem tropeçar no breu e cair no coma da passividade. A maioria infelizmente acata; os demais, vão em queda ao precipício.

Não. Talvez não sejam os políticos que mereçam o cadafalso. O inimigo é a Política. O Sistema é a verdadeira praga assoladora da esperança. Nossa Política é um organismo vivo antigo, que ao longo de sua incontável idade se fortalece e se torna cada vez mais complicado de se erradicar. Nossa forma de cidadania remonta à política romana, a qual sobrepujou a grega, e aliada ao governo dos padres da Idade Média, se concretizou na sujeira portuguesa, essa, herança que desfrutamos hoje. 

Tantos estratagemas, joguetes e artimanhas engastados na tradição política que nos governa, que é aparentemente impossível que o pensamento de seus atores se voltem para apenas o que deveria realmente estar em primeiro plano: o povo. E os indivíduos de boa intenção - calouros sonhadores e autoconfiantes - cheios de ideologias heroicas em prol de um bem comum, passam como que inexistentes em meio aos que são alimentados pelo demônio do costumeiro. Pois esses últimos nutrem o gigante molestador, na infantil ilusão de que alimentam-se a si mesmos. Mas desgastam-se em batalha; estressam-se com os adversários; dormem com um olho fechado e outro aberto; embranquecem e perdem suas cabeleiras; não têm paz...

A quem recorrer? Eu diria que aos artistas - embora esse termo já esteja bastante deturpado. Pois os artistas oferecem o óbvio: a Arte. Nosso sistema político é um espírito obsoleto calcado na velha ideia de uns poucos governarem a todo um resto. O que já está mais do que fora de moda. A onda agora é cada sujeito entender do que realmente precisa. É conhecer os próprios gostos e opiniões, individualmente. É ser governador de si. E a Arte é, a meu ver, o melhor caminho para se chegar a tal condição. Então eu rogo aos artistas, que se manifestem. Que bradem alto para que o maior número de surdos possa ouvir e acordar.

É possível que cada político não passe de um artista sem talento, que, sem perceber, serve ao Sistema como o cão bajula ao dono. Por isso, de quando em quando, retiro - pra mim mesmo - o pensamento asqueroso que tenho dos políticos em si. Mas, de quando em quando, e pra mim mesmo. Então, não contem a ninguém...

Nenhum comentário:

Postar um comentário