segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cerração e Dona Florinda

Assistir ao programa do Chaves nunca foi lá meu passatempo preferido. Mas não tendo nada para ver, é o que acaba sobrando. Só que sempre me causa um certo desconforto. Acho que é porque me traz a lembrança duma velha sensação: quando era guri, só assistia o Chaves em dias de chuva, dias nublados, lamacentos. Estava louco pra sair de casa, brincar com a galerinha, subir em árvores, apertar campainhas e sair correndo... Porém tinha de ficar inerte no sofá, vendo TV... E qual o melhor entretenimento? Chaves, claro.

Toda vez que assisto Chaves, vem uma cerração à minha cabeça. Uma neblina toma conta do meu humor. Uma deprê se instala no meu momento. Entretanto, fico ali, olhando, e até dou umas risadas. É então que me toco de que não é só a névoa que me aborrece. Em verdade, não suporto aquela velha autoritária, sem educação, grossa, gritona, violenta, hipócrita, estúpida, feia, muito feia, que atende pela alcunha de Dona Florinda, com seus bobs ridículos naquela cabeça escandalosamente grande! Eu tenho pavor da Dona Florinda! Quem ela pensa que é pra governar aquele cortiço, se intitulando parte da elite social? Aquela bruaca egoísta, que vive humilhando não só o Seu Madruga (o personagem mais coerente e crítico do seriado), mas também sua filha e o próprio Chaves, mimando aquele filho que acaba por se tornar um mau caráter – ainda que sem culpa nenhuma – sob a tutela dessa mãe asquerosa. Ela poderia curar seu insuportável recalque com uma boa noite de sexo. Mas a cretina só tem olhos para aquele pamonha do professor Girafales: um banana de três metros de altura, caretão, conservador e moralista – provavelmente católico – que não é capaz de dar um “pára-te quieto” na sua amada ranheta. Só o que aquele otário-mor faz é passar a mão nos bobs piolhentos da megera, defendendo-a quando é ela a agressora.

Que mensagem positiva temos, quando não dá pra ter esperança de que a monstra baforenta (pois ela tem aspecto de quem tem um péssimo hálito) vai ter bom senso em não esbofetear a cara do vagabundo preferido da minha infância? A gente nem pode esperar que ela pare um pouco, ponha o dedo na caixola, e perceba que é ela o pior exemplo para seu filho. Aí, pois, fico ali, em frente à televisão, borocoxô, numa mistura de sentimentos conflitantes de tristeza pelo dia nublado – mesmo que faça um dia ou uma noite lindos – e revolta e impotência por deparar-me com o injusto regozijo de uma prepotente senhora que sempre sai por cima da carne seca...

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