segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Origem noutro algo...


Tudo tem uma origem noutro algo
Como a grossura de personalidade
Que pode nascer da timidez 
Filha do medo
Mestre da valentia
Trapaceira da vida
Usurpadora da morte
Libertadora do eterno...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cerração e Dona Florinda

Assistir ao programa do Chaves nunca foi lá meu passatempo preferido. Mas não tendo nada para ver, é o que acaba sobrando. Só que sempre me causa um certo desconforto. Acho que é porque me traz a lembrança duma velha sensação: quando era guri, só assistia o Chaves em dias de chuva, dias nublados, lamacentos. Estava louco pra sair de casa, brincar com a galerinha, subir em árvores, apertar campainhas e sair correndo... Porém tinha de ficar inerte no sofá, vendo TV... E qual o melhor entretenimento? Chaves, claro.

Toda vez que assisto Chaves, vem uma cerração à minha cabeça. Uma neblina toma conta do meu humor. Uma deprê se instala no meu momento. Entretanto, fico ali, olhando, e até dou umas risadas. É então que me toco de que não é só a névoa que me aborrece. Em verdade, não suporto aquela velha autoritária, sem educação, grossa, gritona, violenta, hipócrita, estúpida, feia, muito feia, que atende pela alcunha de Dona Florinda, com seus bobs ridículos naquela cabeça escandalosamente grande! Eu tenho pavor da Dona Florinda! Quem ela pensa que é pra governar aquele cortiço, se intitulando parte da elite social? Aquela bruaca egoísta, que vive humilhando não só o Seu Madruga (o personagem mais coerente e crítico do seriado), mas também sua filha e o próprio Chaves, mimando aquele filho que acaba por se tornar um mau caráter – ainda que sem culpa nenhuma – sob a tutela dessa mãe asquerosa. Ela poderia curar seu insuportável recalque com uma boa noite de sexo. Mas a cretina só tem olhos para aquele pamonha do professor Girafales: um banana de três metros de altura, caretão, conservador e moralista – provavelmente católico – que não é capaz de dar um “pára-te quieto” na sua amada ranheta. Só o que aquele otário-mor faz é passar a mão nos bobs piolhentos da megera, defendendo-a quando é ela a agressora.

Que mensagem positiva temos, quando não dá pra ter esperança de que a monstra baforenta (pois ela tem aspecto de quem tem um péssimo hálito) vai ter bom senso em não esbofetear a cara do vagabundo preferido da minha infância? A gente nem pode esperar que ela pare um pouco, ponha o dedo na caixola, e perceba que é ela o pior exemplo para seu filho. Aí, pois, fico ali, em frente à televisão, borocoxô, numa mistura de sentimentos conflitantes de tristeza pelo dia nublado – mesmo que faça um dia ou uma noite lindos – e revolta e impotência por deparar-me com o injusto regozijo de uma prepotente senhora que sempre sai por cima da carne seca...

Prefiro...


Prefiro o caos, à escravidão
Prefiro o lixo, ao tipo fútil
Prefiro o podre, ao formol
Prefiro feder, a inexistir

Prefiro o homem, à galinha
Prefiro a mulher, ao diamante
Prefiro o Rock, à partitura
Prefiro Deus, à Bíblia

Prefiro a jaula, à ilusão
Prefiro a forca, à afonia
Prefiro a chuva, à fumaça
Prefiro a fumaça, à lucidez

Prefiro a dor, ao sufoco
Prefiro o choro, ao engasgo
Prefiro a árvore, ao machado
Prefiro o corvo, à carniça

Prefiro a nuvem, ao céu
Prefiro a lua, à penumbra
Prefiro a morte, à moléstia
Prefiro a liberdade, à vida

Prefiro a canção, ao hino
Prefiro a voz, à sinfonia
Prefiro a arte, ao maestro
Prefiro a cor, ao pintor

Prefiro o cadáver, ao assassino
Prefiro o pé, ao soco
Prefiro a porta, ao cadeado
Prefiro o ódio , a fingir amar

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Mostro SIST


De quando em quando, retiro - pra mim mesmo - o que costumo dizer sobre os políticos. Me permito até mesmo pensar que tudo de podre que acontece nesse círculo, não necessariamente é consequência voluntária e/ou indiferente dos indivíduos em si. Liberto-me do triste conceito de corja a que estou acostumado a ter em se tratando desses infames representantes da Sociedade. E me atrevo até a ser otimista pensando que há, sim, aqueles que pretendem fazer a diferença. Todavia, esses nada fazem; nem têm poder algum; são os mais fracos, inúteis, derrotáveis, e por fim, sufocados até a morte de suas vidas públicas.

Muitos dos que adentram o vale sombrio da política, carregando suas instáveis velas para tentar iluminar a penumbra cavernosa que o assombra, têm suas chamas facilmente extintas pelo sopro debochado e leve do tenebroso monstro que habita esse covil. Mas o bicho pernicioso ainda lhes dá uma tocha embebida em neon para que possam andar sem tropeçar no breu e cair no coma da passividade. A maioria infelizmente acata; os demais, vão em queda ao precipício.

Não. Talvez não sejam os políticos que mereçam o cadafalso. O inimigo é a Política. O Sistema é a verdadeira praga assoladora da esperança. Nossa Política é um organismo vivo antigo, que ao longo de sua incontável idade se fortalece e se torna cada vez mais complicado de se erradicar. Nossa forma de cidadania remonta à política romana, a qual sobrepujou a grega, e aliada ao governo dos padres da Idade Média, se concretizou na sujeira portuguesa, essa, herança que desfrutamos hoje. 

Tantos estratagemas, joguetes e artimanhas engastados na tradição política que nos governa, que é aparentemente impossível que o pensamento de seus atores se voltem para apenas o que deveria realmente estar em primeiro plano: o povo. E os indivíduos de boa intenção - calouros sonhadores e autoconfiantes - cheios de ideologias heroicas em prol de um bem comum, passam como que inexistentes em meio aos que são alimentados pelo demônio do costumeiro. Pois esses últimos nutrem o gigante molestador, na infantil ilusão de que alimentam-se a si mesmos. Mas desgastam-se em batalha; estressam-se com os adversários; dormem com um olho fechado e outro aberto; embranquecem e perdem suas cabeleiras; não têm paz...

A quem recorrer? Eu diria que aos artistas - embora esse termo já esteja bastante deturpado. Pois os artistas oferecem o óbvio: a Arte. Nosso sistema político é um espírito obsoleto calcado na velha ideia de uns poucos governarem a todo um resto. O que já está mais do que fora de moda. A onda agora é cada sujeito entender do que realmente precisa. É conhecer os próprios gostos e opiniões, individualmente. É ser governador de si. E a Arte é, a meu ver, o melhor caminho para se chegar a tal condição. Então eu rogo aos artistas, que se manifestem. Que bradem alto para que o maior número de surdos possa ouvir e acordar.

É possível que cada político não passe de um artista sem talento, que, sem perceber, serve ao Sistema como o cão bajula ao dono. Por isso, de quando em quando, retiro - pra mim mesmo - o pensamento asqueroso que tenho dos políticos em si. Mas, de quando em quando, e pra mim mesmo. Então, não contem a ninguém...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Poxoxa


Olha só quem vem ali
Só podia ser a Poxoxa
Quando ela saltita, só ri
Faceira de calcinha roxa

A Poxoxa é tão poxoxa
Que dá vontade de socar
Quanto pesa em cada coxa?
É só a ela, pertguntar

Parece até um bujãozinho
Em forma, pêso, altura e gás
Quando passeia de vestidinho
Acha que os rapazes vêm atrás

A Poxoxa, quando dança
Fica tão engraçadinha
Balança bunda, balança pança
Tipo criança capetinha

Poxoxa Poxoxona
Ela pensa que é demais
A todos apaixona
A Poxoxa pode mais!

Seus seios enscandalosos
Chacoalham a cada passo
Parecem um tanto sebosos
Mas querem tanto um amasso

Quem mamaria na Poxoxa?
Será que só um filho seu?
Cada teta é uma trouxa
Que com o tempo se encheu

Poxoxa Poxoxola
Ela é tão desengonçada
Quando anda, a bola rola
Rola risos na calçada

Sem boca, a dita cuja
A Poxoxa tem bochecha
A bochecha sempre suja
De geleia de ameixa

Que bochechas ela tem
Para dar um beliscão
Poxoxas são, também
Suas perninhas de anão

Poxoxa Poxoxuda
De cabelo de xaxim
É fofona e bochechuda
Tem formato de pinguim

Cheirando a caramelo
A Poxoxa sai de casa
Lambuzada de marmelo
Ela sempre se atrasa

E vem vindo a Poxoxa
Saltitando que nem rã
Cantando à boca frouxa
Tendo a vida como afã 

Poxoxa Poxoxenta
Xexelenta tal gambá
Quando o clima, então, esquenta
Deveria se lavar

Toco de amarrar bode
Amarrar porco ou javali
Não se sabe como é que pode
A Poxoxa caber aqui

Só socando com um pilão
Para entrar no calhambeque
Melhor ter um furgão
Evitar salamaleque

Poxoxa Poxoxinha
Todos querem lhe apertar
Sem-vergonha, socadinha
Alguém vai te estourar