segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Blefador e o Cristo


Já ouviram falar na teoria fantástica do Blefador sobre a personagem Jesus? O Blefador leu meia-dúzia de livros filosóficos na vida, e já cogitava que era mais esperto do que seus autores. Intrigado com a fábula histórica de Jesus, bolou em sua mente irriquieta todo um esquema para entender esse ser e, consequentemente, desvendar um dos maiores (senão o maior) mistérios da humanidade.


Apoiado em suas sinapses geniais, o Blefador fez uma releitura da história do Nazareno - não se sabe por que era chamado assim, já que teria nascido em Belém - e observou tudo aquilo que todo mundo já está careca de saber: Maria, virgem, deu à luz Jesus, que cresceu sob os ensinamentos da mãe e do pai adotivo, blablablá... dos doze anos de idade até os trinta, sabe-se nada sobre a vida do cara, de certo porque na puberdade se masturbava demais, e na juventude vivia na farra (vai saber...)...


Dos trinta em diante, Jesus fez uns milagres aqui, outros acolá, desafiou autoridades, falou besteiras e sabedorias, pregou cravos em madeiras e palavras em mentes menos favorecidas, andou na água, ressuscitou pessoas, realizou exorcismos e - malandrão - transformou água em vinho... Foi capturado pelos romanos, traído ou não por Judas, açoitado, espancado, cuspido, humilhado, crucificado e por fim, morto na cruz.


Então começa a explicação do Blefador acerca da natureza desse espírito: Jesus morreu e seu cadáver foi sepultado numa gruta lacrada por uma grande rocha. Provavelmente com seus poderes mágicos, retirou a pedra do lugar - pois não estava morto coisa nenhuma - e saiu andando bem belo. Encontrou-se com seus amigos e, incrivelmente, saiu voando tal qual um foguete da NASA rumo ao espaço sideral. Ao atravessar todas as camadas de gases que envolvem o planeta Terra, seu corpo desfez-se em uma poeira muito fina que veio a vagar como uma nuvem pelo cosmos, de galáxia em galáxia à procura de um planeta habitado por seres "inteligentes". Da mesma forma como deve ter acontecido por aqui, o Blefador concluiu que Jesus adentrou a atmosfera de outro mundo, agora como fumaça - por conta da reentrada - e, baseado na informação da castidade de Maria, entendeu que a forma gasosa milagreira deva ter ingressado no corpo de seu hospedeiro através do ouvido, ou do nariz, e se instalado em seu útero, para depois desenvolver-se como feto em sua barriga... 


O Blefador ficou eufórico ao compreender que Jesus era realente um ser sobre-humano; que não era um simples filósofo agitador. Era um extraterrestre com poderes malucos e altamente resistente ao vácuo. Sua essência era a poeira, as partículas, os átomos de gases incompreensíveis pelas pessoas. E, num ensejo inevitável, descobriu que era Jesus a causa de muitos Homens desesperados, por quaisquer motivos, passarem a apreciar como método de fuga das dores um amável mas temido pó...


O Blefador era um gênio...

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