segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Amador e as Lésbicas


O Amador detestava mulher-macho. Daquelas que falam grosso, sem delicadeza, sempre dispostas a sair no tapa com quem quer que pise no seu calo, daquelas que só faltam coçar o saco. Ele tinha muito apreço pelo sexo feminino para não sentir pelo menos uma certa repulsa por esse tipo de dama. O feminino era tão superior no seu ponto de vista, que ele achava um disparate uma guria descer ao nível masculino - por mais feia que fosse a criatura.


Ao ser perguntado sobre uma lésbica, absurdamente linda e sedutora, que passeava com sua namoradinha - tão bonita quanto - no centro da cidade, se não seria um desperdício ela não estar acompanhada por um homem (como mandam as Escrituras), o Amador discordou de imediato! Desperdício seria ela andar ao lado da figura mais grotesca que pode haver: um homem. Aquela moça era tão atraente que, escoltada por um cara, estragaria a imagem; tornaria a pintura feia, rústica.


Pode existir bicho mais feio que o exemplar macho da espécie humana? Sob o olhar do Amador, só se salvariam aqueles indivíduos andróginos. O Amador acreditava não haver homens bonitos. Nem para as mulheres. Tudo não passaria de uma ilusão do instinto. Por conta da procriação, os impulsos primitivos levariam as mulheres a desejar homens em suas camas. Mas não que os achassem bonitos. Eles continuavam sendo esdrúxulos. Mulheres achariam mulheres bonitas, na concepção do Amador.


O Amador almejava um mundo feminino. Um mundo suave, mesmo que cheio de TPM. Costumava dizer que guria deveria ficar com guria. Para ele, não havia cena mais bela que um casal de lésbicas. Mas lésbicas femininas, não aquelas machorras que, de certo, fazem a barba de fronte ao espelho. Quanto a ele mesmo, acreditava ser um raro caso para um relacionamento heterossexual. O Amador estava virando cada vez mais um tipo feminino. Se tornara delicado, sensível, romântico. Mal cabia agora no mundo dos homens. Se considerava digno de estar com uma mulher. Mas estando sozinho, apelava para as damas que fossem lésbicas, porém sem se transformarem em homens.


Pois bem, é certo que então lhe questionaram se estaria virando gay. Não fazia muito sentido, já que o Amador deixava bem claro sua ojeriza acerca do sexo masculino. Mas o cara era tão afável e cortês, obsequioso como uma moça, que não é de se estranhar tal tipo de observação. Sim, ele estava sendo cada vez mais feminino na sua essência. E amava tanto o Feminino, que sua resposta não podia ser outra que se viesse a se tornar gay, seria um "gay lésbico"...

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