quinta-feira, 24 de maio de 2012

Torpor Social

Pra quê pior droga que as novelas da Globo? Pra quê entorpecente mais danoso que o Caldeirão do Huck, o programa da Xuxa, a vulgaridade e a feiura da Regina Casé? Que narcótico dopa mais que a mídia mal caráter e religiosa brasileira? Talvez a politicagem e as próprias empresas de religião do país. Muito pior que o problema do tráfico deve ser as movimentações podres que transformam grupos de indivíduos numa massa uniforme de zumbis. E ao contrário das lendas e de Hollywood, são os mortos-vivos do Brasil que têm o cérebro devorado pelo monstro "SIST". Enquanto o fumante de baseadinho lê poemas e escuta Rock n' Roll e Mozart - e reflete doidão ao ponto de não mais confundir obedecer com respeitar - compreendendo sua capacidade de pensar por si próprio, os babões do certo e errado admitem sem notar que os pastores sociais lhes hipnotizem e convençam-lhes de que são ovelhas necessitadas de senhores. Ora, daí o que vemos é uma publicidade cretina contra estilos alternativos de vida taxar individualidades como pragas, sendo que o comportamento primitivo de seguir rebanhos é que causa paradoxos confusos em nome duma ordem que acaba por se tornar precursora do torpor caótico em que vivemos...

terça-feira, 8 de maio de 2012

"Te sento a marreta, deusinho..."

As pessoas têm suas religiões, mas não refletem nem um mínimo sobre elas. Outro dia, fiz uma brincadeira sobre Jesus. Tá certo que foi bem sarcástica. Mas a questão é que não há problema no sarcasmo. É que os adeptos dos dogmatismos são proibidos de ter humor... humor inteligente, ao menos.

Aconteceu que uma moça - uma amiga virtual - viu a tal chacota e comentou com um severo "que absurdo!". Só que não foi apenas isso. Ela me excluiu do seu "círculo facebookeano de amizades". Típico do verdadeiro cristão. Porque o verdadeiro cristão não é aquele que diz: perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem; nem mesmo o que desafia para jogar a primeira pedra quem não tiver "pecados"; tampouco o sábio que conscientiza "não julgueis para não serdes julgados". Não. O cristão de carteirinha só lembra das punições; só lembra do inferno e de um deus mais irado que o próprio demônio. Portanto, não me foi tão surpreendente que aquela mocinha descartasse minha amizade como se eu fosse um nazista, ou qualquer outro tipo da mesma laia.

Quando falo em reflexão, me refiro a conhecer sua prórpria crença. Ainda que se baseie em fé, a lógica não precisa ficar de fora. Seja o deus que for, da crendice que seja, não faz sentido que um ente considerado superior condene de forma tão patética alguém que faz piadas. Se Jesus é tão divino, e "Deus" é tão onisciente, há problemas bem maiores com os quais "Ele" - ou "Eles" (sei-lá) - deveria se ofender.

No final das contas, o que fica parecendo é que os seguidores dessas religiões ditadoras de verdades, no fundo, têm um extremo receio quanto ao poder de suas divindades, e precisam protegê-las bravamente dos poderosos hereges, satanistas, céticos, ateus, e toda uma horda de bárbaros armados com suas apocalípticas lógicas, ciências, filosofias, medicinas e piadas que, de simples besteiras, passam a ser ameaçadoras possíveis realidades.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Algoz Mestre


Eu outrora vi um senhor
E desde pequeno, o ovacionei
Admirava-o a ser de si, senhor
Amava-o por ser um rei


Sua face altiva, austera
Amedrontava-me a me imbuir
Verdades, instruções, que dera
Levaram a mim, instruir!


Revolta e dor, lhe dediquei! 
Mas admiração, a mim chamava
Com ele às espadas, cheguei!
Porém, àquele velho, amava


A erudição era sua linhagem
A retórica, seu ofício
À vida, deu pouca margem
À vida, deu suplício


A tal velho sucumbi
Pois tamanha era sua nobreza
Por meio dele, cresci
A ele, devo minha grandeza


Ó amante da maior Rainha
És meu mestre, de maior grado
Saudades de ti - a mim definha
Avô e nobre advogado!