terça-feira, 24 de abril de 2012

Cotas Racistas

Esse sistema de cotas nas universidades parece que tenta atestar a inferioridade racial dos negros. Senão, por que, ao invés de "cotas raciais", não são "cotas sociais"? Se o motivo de se criarem cotas para o ensino superior é a pobreza, automaticamente não seria apenas para negros, mas para quem é pobre. Grande parte da miséria brasileira habita em famílias consideradas brancas. E isso tudo é muito evidente. Agora, quando se direciona algo para um certo grupo de pessoas baseando-se na sua cor de pele, afigura-se um tipo de racismo. Se o negro é tão capaz intelectualmente quanto o branco - e o é, de acordo com a biologia - qual a razão de dar privilégios ao mesmo, quando ambos padecem do mesmo problema? A Constituição deve tratar o cidadão exatamente pela sua cidadania, não pela sua cor de pele. As cotas para os negros os separam das demais pessoas, parecendo que eles, especificamente, precisam sempre de um empurrãozinho para ter alguma oportunidade. Ora, que o mesmo ponto de partida seja dado a todos. Que educação de qualidade seja direito, desde o princípio, de todo aquele considerado cidadão...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Os filhos não são dos pais, são de si mesmos

Sabes por que não quero ter filhos? Porque não tenho motivos para tê-los. Por que eu teria filhos? Para ter a quem amar? Porque eu viria a sentir uma certa necessidade de canalizar meu amor a alguém? Então, tentaria arrumar uma companheira ou adotaria uma criança (ou um gato). Já existem muitos nascidos no mundo, e grande parte deles já sofre o bastante.

Muitos amigos meus me questionaram se eu não penso em deixar meu "legado" na Terra, minha "semente", meu DNA. Outros indagaram se não me preocupava com as dificuldades da velhice, se não tinha medo de ter a ninguém na finaleira da vida. Há ainda uma dúzia de mulheres que reclamam o direito de gerar uma vida dentro de si mesmas, com a desculpa de que seu instinto implora essa natureza...

Penso que todos esses porquês me parecem um tanto egoístas. Simples caprichos individuais ou conjugais. Meu legado, a herança que quero deixar, são minhas ideias, meus pensamentos, as poucas certezas... O meu DNA vai apodrecer quando da morte do meu filho, e da do filho dele, e assim por diante. Parece que 2% da população mundial de hoje tem os genes de Gengis Khan, e eu pergunto, e daí? Eu jamais seria gerador dum ser humano, para perpetuar minha linhagem. O material perece. E embora sempre exista um considerável receio acerca da velhice, não quero ter participação no nascimento de uma enfermeira pra mim mesmo ou pra minha esposa - aquela que sente necessidade biológica de produzir uma vida dentro de si. Já tivemos tantos bons professores ao longo das eras, que trouxeram à tona toda a nossa atual racionalidade, que não me é surpreendente que esse desejo feminino de criar vida dentro de si não passe de um sentimento mesquinho de fantasiar ser "Deus". O que elas não percebem é que essa vida é uma existência "alienígena" no seu interior. É um universo à parte de sua maternidade.


Planejar ter um filho é bastante estranho a meu ver. Usando a razão, só entendo um desejo impulsivo de se ter um ente o qual, senão a vida inteira, boa parte da existência vai estar subjugada à vontade de seus genitores. Não estou dizendo que os pais não amem seus filhos. Mas é possível que o façam antes mesmo de seu nascimento?

Muito cuidado ao planejares um filho, pois, sem perceberes, podes estar o fazendo com a intenção de reproduzires a ti mesmo. Os filhos não são dos pais; eles são de si mesmos.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A mulher que amo

A mulher que amo traça linhas tortas
E em meu coração, tintas de cicuta
Ofereceria-lhe de alma, permuta
De amor, por ela, minhas letras mortas

A mulher que amo tem bela franja
Olhos cerrados, que quase nem vê
Mas, arte na alma, mais esbanja
Que mulher, gostaria eu de ter?

A mulher que amo tem voz linda
E fala como se anjo fosse
Faria de mim, saboroso doce
Até surgir face mal-vinda

A mulher que amo não esperou
Que poesia eu cantasse a ela
E os traços de outro, pintou
E minha poesia, é cinza aquarela

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mundo-da-Lua

Um dia desses, estava mais uma vez eufórico em meus delírios lunáticos, quando desanimei numa fração de segundo. Fiquei deprimido quando percebi que aquela felicidade toda se baseava no mundo da minha imaginação. Por um momento, notei que não era parte da realidade. Era só o mundo-da-lua. O espaço da esperança das coisas que pudessem me tornar extremamente feliz. Eu não encontraria aquilo no meu extra-corpo. Entristeci na hora. Vi que o mundo fora de mim mesmo era ameaçador ante as minhas forças. Que minhas chances diminuíam drasticamente contra a ferocidade da Rainha da Vida: a Ignorância, também conhecida como Imcompreensão. Então, no momento dessa percepção, me enxerguei falecido na triteza porque não era equivalente às armas da existência. Parei! Imediatamente! Um sopro desferido por um dos meus "eus" me acordou do torpor; ou pôs-me a dormir nos braços da letargia romântica que acaricia o meu universo individual. A realidade é aquilo que eu bem quiser que seja. Houveram épocas - e ainda considera-se em alguns lugares - em que certos tipos foram chamados de "Realeza", sendo que sou careca de saber que eram tão reais quanto qualquer cachorro vira-lata ou poema escrito em guardanapo de bar. Gosto desse meu mundinho. Aqui, a infelicidade é só um detalhe que facilmente consigo transpor. A possibilidade de arrombar meus cárceres são muito maiores. Sou respeitado o tanto quanto preciso para não viver chorando. As raivas são inimigos os quais transformo em aliados pacíficos. Rio, pulo, canto, beijo, e até ando a cavalo, às vezes. De vez em quando, mesmo o perdão bate à porta de minha consciência... Não, não são os senhores de bandas longíquas que me fazem a verdade. Eu sou de verdade dentro de mim, e o que importa é o meu sorriso, tanto o de fora, mas principalmente o de dentro.