segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fuga do Bardo

Galopa, galopa, galopa
Que a guarda galopa atrás
A ira do Bispo sopra
O Bispo é astuto e sagaz

Barão, Visconde e Conde
Marquês, Duque, Arquiduque
Procura um atalho, te esconde
Antes que alguém te machuque

O sino da torre ribomba
- Prendei o larápio blasfemo!
- Da Coroa ele não mais zomba!
- Bruxo, prole do Demo.

Ainda contas com a sorte
Mas deves ser incisivo
Do teu lado caminha a Morte,
Que só espera que estejas vivo

Falaste demais ao Rei
Que cala bocas e línguas frouxas
Debochaste nas fuças de um frei
Deixando-lhe as bochechas roxas

Larga tudo o que te atrapalhe
Mas segura o alaúde contigo
Logo ali, atravessando o vale
Pode ser que termine o perigo

Teu instrumento foi teu algoz
Mas pode vir a ser a tua glória
Que arma tal qual a voz
Derrubou reinos ao longo da História?

Se ode perfeita entoares
Nem o tempo vai resistir
A canção atravessará os mares
Se a cabeça do Rei cair

Mas é a tua que ainda tem preço
E há de cair se um guarda te topa
Poucos por ti têm apreço
Então: galopa, galopa, galopa!



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