terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Completamente Maluco

De que estou ficando louco, já não tenho mais dúvidas. Mas ainda não me acostumei bem com os surtos. De repente, saio de órbita, entro em “parafuso”. Choro que nem criança, berro aos quatro ventos, sussurro como cobra, falo sozinho e rio sem saber de quê. Por vezes, pego o telefone e ligo pra quem nunca mais deveria ligar.

Estou saindo cada vez mais desse mundo. A cada dia que passa, cresce em mim um adeus aos “sãos”. Durante todo o tempo, me pergunto se tudo não passa da minha própria imaginação. Me questiono se eu mesmo não sou um delírio particular. Todavia, o que ainda mais me impressiona é que isso não me incomoda. Entendo que as pessoas estranhem os devaneios do meu labirinto mental, e lamento sinceramente que muitas sofram com isso, mas pessoalmente, a mim não prejudica.

Na loucura, me sinto menos solitário. Quando navego por minhas alucinações, percebo-me menos alienígena. Por isso, não me aborreço mais por estar enlouquecendo. Só tenho a perder se ficar forçando ser quem definitivamente não sou. Se é na insanidade que vou me conhecer melhor, o manicômio não me parece um destino tão ruim. Não me importo se estiver ficando maluco, pirado, doido, lunático, lelé, com todos os parafusos soltos na cabeça. Não mesmo. Procuro me lembrar de uma frase proferida por um personagem em um filme que vi há algum tempo: “Essas são as melhores pessoas”...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fuga do Bardo

Galopa, galopa, galopa
Que a guarda galopa atrás
A ira do Bispo sopra
O Bispo é astuto e sagaz

Barão, Visconde e Conde
Marquês, Duque, Arquiduque
Procura um atalho, te esconde
Antes que alguém te machuque

O sino da torre ribomba
- Prendei o larápio blasfemo!
- Da Coroa ele não mais zomba!
- Bruxo, prole do Demo.

Ainda contas com a sorte
Mas deves ser incisivo
Do teu lado caminha a Morte,
Que só espera que estejas vivo

Falaste demais ao Rei
Que cala bocas e línguas frouxas
Debochaste nas fuças de um frei
Deixando-lhe as bochechas roxas

Larga tudo o que te atrapalhe
Mas segura o alaúde contigo
Logo ali, atravessando o vale
Pode ser que termine o perigo

Teu instrumento foi teu algoz
Mas pode vir a ser a tua glória
Que arma tal qual a voz
Derrubou reinos ao longo da História?

Se ode perfeita entoares
Nem o tempo vai resistir
A canção atravessará os mares
Se a cabeça do Rei cair

Mas é a tua que ainda tem preço
E há de cair se um guarda te topa
Poucos por ti têm apreço
Então: galopa, galopa, galopa!



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um Cara Detestável

Eu sou um daqueles caras que costumam ser detestados. Daqueles tipos diferentes que ninguém suporta. Todo mundo tem medo de mim. Os que não têm medo, têm nojo. Uns poucos têm pena. Eu sou aquela espécie de gente que a sociedade tem horror de enxergar. Pra três quartos do mundo, eu sou o bicho mais feio que existe; pra o outro quarto, sou o segundo.

Meus pensamentos são uma afronta pra o mundo. Minhas idéias são diabólicas! Imagina só: eu falo em liberdade, falo em amor, em sexo... Eu discuto, sim, religião, futebol, política... Eu gosto de poesias. Até me atrevo, vez que outra, a escrever uns versinhos sem lá grande técnica. Eu costumo pensar...

As pessoas detestam quem pensa. Ora, elas são peões num tabuleiro de xadrez. Podem avançar duas casas na primeira jogada, se assim o desejarem, mas depois disso, só lhes é possível andar numa única direção, e a passos muito lentos. A única exceção é quando há um “adversário” a ser eliminado. Aí, um pequeno desvio é permitido. Receio vir a ser um adversário desses. Receio me tornar um daqueles os quais vi as pessoas ao meu redor – desde quando era criança – dizerem que “não prestam”; que “não valem nada”...

Pode ser que a maioria das pessoas tenha quase tudo em comum. Mas eu sou diferente. E ainda que seja da natureza humana excluir seus não-semelhantes, já passa da hora de deixarmos para trás a escravidão do instinto. Minhas distinções são particularidades minhas; só dizem respeito a mim e a ninguém mais. Gosto do meu direito de pensar e de viver. E mesmo assim, não sou indiferente quanto a estar sendo prejudicial a outrem. De qualquer forma, costumam-me culpar por exercer esse direito. E as pessoas culpadas sofrem do desprezo, do medo, do nojo daqueles que seguem à risca as regras do xadrez natural de suas vidas. E o resultado disso: acaba-se sendo eliminado.

Sim, eu cometo erros. Incontáveis. Por gostar de pensar, os percebo mais do que qualquer um. Portanto, basta que eu mesmo me culpe. Quem achar que estou indo muito errado, não me puna por isso, mas me tente consertar...