quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Casa do Diabo

A despeito do bom trabalhador
Vivo na vagabundice, a cabo
E enquanto o ócio me torna pensador
Minh’alma vira a casa do Diabo

Mas outrora o Diabo fora Anjo
E, não mero habitante dos céus
Era, na origem, fausto Arcanjo
Desnudo de máscaras e de véus

O labor sufoca o pensamento
Ilude livres espíritos nus
Joga fora a divindade ao vento

Lança às trevas o belo Anjo de Luz
Mestre de Arte, não de sofrimento
Qual o trabalhador pregado à cruz

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Eu Poeta

De poeta, pois então
Só tenho o alcoolismo
As angústias, a solidão
A revolta e o cinismo

Um sarcasmo debochado
Por minha língua escorre
E um amor atordoado
Em meu peito vive, e morre

Trago paz em minha mente
E contenda no coração
E o que sobra, de repente
É rebeldia e solidão

Ora, resta-me ser poeta
Me é vantagem ser poesia
A loucura torna-se discreta
Pois sob a pena dum poeta
Vira beleza e sabedoria