quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Canários de Cuba

Os admiradores de Cuba nos mostram, periodicamente, um dado interessante e realmente louvável acerca de um aspecto das condições de vida de seus habitantes. Cento e quarenta e poucos milhões de crianças morrem de desnutrição em todo o mundo, e nenhuma é cubana. Pois bem, a ração lhes é dada. De fome aquela gente não morre. Como um canário, o povo de estimação de Fidel Castro recebe alimentação, água, cuidados médicos e uma moradia, um lugar onde se deve viver. Porém, assim como o pássaro canoro, em Cuba a população deve cantar conforme a música. Suas vozes devem ser afinadas e agradáveis aos ouvidos de seu mestre, pois, nada mais justo que agraciar aquele que lhes dá o alpiste de cada dia, com aquilo que ele deseja ouvir. Então os cubanos pulam, cantarolam felizes, voam de poleiro em poleiro, tudo isso dentro dos limites de sua pequena e enferrujada gaiola. Entretanto, semelhante ao canário estragado, aqueles de voz estridente e de música sem harmonia têm seu bico cortado, ou são eliminados de várias formas para que não influenciem a canção dos demais. Mas esses são poucos. A maioria se mostra feliz, com sorrisos suspeitos no rosto, bajulando, se submetendo e agradecendo ao seu bondoso dono que, além de tudo isso que generosamente ele lhes dá, ainda lhes priva de ter conhecimento dos fatos tenebrosos do mundo de fora... Mas a pergunta que não quer calar é: se a gaiola for aberta, o canário irá voltar?

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