quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O que Deus não vê, o Homem sente

Vi a publicação de uma foto no facebook, na qual há um homem de pé, apontando uma arma para outros três homens deitados ao lado de uma motocicleta caída, e uma multidão ao redor acompanhando ao acontecimento. Segundo a legenda da imagem, dois dos elementos caídos estão mortos e o terceiro está ferido. A cena é bem forte: há sangue por todo lado. O indivíduo armado seria um policial civil, que teria sido assaltado pelos delinquentes, e reagido com disparos.

Sob a fotografia, um texto revela o que aconteceu, e faz algumas críticas. Questiona, de forma tendenciosa, se algum “jornalista idiota” protestaria quanto ao tratamento dado aos “meninos” infratores, e se o pessoal dos “direitos humanos para vagabundos” cobraria da sociedade o dever de fazer algo por esses transgressores...

A violência no Brasil é evidente, nos aterroriza e nos revolta. Jamais qualquer pessoa que tenha o mínimo de esclarecimento absolveria a atitude animalesca desses criminosos. Por outro lado, qualquer um que tenha um pouco mais que o mínimo de esclarecimento entende que não é tão simples assim (pregar fogo em bandido) para resolver o problema da criminalidade.

Lendo os comentários acerca da foto, percebi que as opiniões não foram muito diversas. A grande maioria enxergou o policial como herói; outros entenderam que o homem revidara em legítima defesa; e uns poucos questionaram que os bandidos não deveriam sair impunes, mas que o policial não tinha a capacitação necessária para decidir sobre a vida dos meliantes (se é que alguém tem...). Ora, quando tem-se um caso de legítima defesa, em que a vítima corre sério risco de vida, e ela tem a possibilidade de eliminar sua ameaça da maneira que for, não é surpreendente que o faça. Ou, ao menos, não deveria ser, pois num momento desses, não se vê abertura qualquer para o diálogo. Porém, o texto deixa a entender que os patifes foram alvejados pelas costas, quando fugiam. Aí, não é uma questão de defesa, mas sim, assassinato, ou vingança. E não cabe aos membros da polícia, seduzirem-se ao instinto vingativo.

Outra opinião que li sobre a bandidagem abatida era de que os mesmos fossem a “escória da sociedade”. É muito complexo definir o que não presta na nossa sociedade. Por isso, penso que ao invés de determinarmos, devamos questionar os porquês de as coisas não prestarem. Será que o marginal gosta de ser marginal? Ele teve outra oportunidade de não o sê-lo? É possível que alguém seja feliz vivendo como essa gente, que tem de dormir “com um olho fechado e outro aberto”? Pois, assim como não temos paz, esse pessoal tem menos ainda!

O que vejo é que esse homens e mulheres que vivem à margem da lei, são apenas as conseqüências de um sistema social ineficaz e obsoleto, o qual aparece aos nossos olhos como a coisa ideal a se seguir. Os líderes do povo, no alto de seus pedestais, com seus ternos importados, não pegam em armas (em geral) para amedrontar a população cidadã, mas desviam as verbas que são destinadas à saúde, à educação, à segurança... Demonstram descaso total para com aqueles que não nasceram em berço, mas em jornais estendidos no chão. Nossos governantes proporcionam trabalhos injustos ao povo; e como nem todos são iguais, muitos se revoltam de maneira grotesca, porque nem isso aprenderam a empregar: uma rebeldia consciente. E então, os “cidadãos” condenam sem julgamento algum esses elementos, como se esses últimos tivessem escolhido o seu modo de vida. Talvez, nem isso tenham: capacidade para saberem o que querem...

O texto que se segue à foto termina com “Graças a Deus, tem policiais competentes em nosso país!”. Por outro lado, “Ele” porventura não perceba que a competência policial não é suficiente para evitar que surjam criminosos que apavoram e intimidam toda a sociedade.

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