sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Blábláblá na Câmara

Estava ouvindo pelo rádio a transmissão das eleições para a presidência da Câmara de Vereadores de Taquara, no último dia 16 de novembro. Um pouco antes, uma vereadora falou ao vivo por telefone com o apresentador do programa, e contou que um homem havia ameaçado de entrar com uma arma em seu gabinete, exigindo que ela votasse num “fulano de tal”, e que se fosse diferente, ela iria “se incomodar”.... Ora, se isso seja coisa que aconteça na política do século XXI...

Voltando à eleição, só o que percebi foram disputas partidárias, acusações de ambas as partes, discussões sem sentido, e uma falta de retórica que me levou a concluir que ninguém ali sequer tenha ouvido falar em Cícero. Mas o que importa Cícero? A maioria deles não conhece a história da própria cidade!

Uma palavra que creio não ter ouvido uma única vez foi “povo”. Se havia alguma honra a ser defendida, era a dos partidos e suas alianças, e ainda teve gente gritando algo do tipo: “O senhor respeite essa casa!”. Mas a palavra “povo” nunca era citada. Tudo bem... Quem poderia exigir que se falasse no povo, quando mulheres e homens tão importantes argumentavam sobre o futuro... deles, no poder?

De repente uma vereadora (não a mesma que foi ameaçada com o cabresto) pegou o microfone e começou a falar de uma maneira desesperada, quase beirando o desequilíbrio, um português horroroso, e gritos, gritos que tornavam sua voz insuportável! Nesse momento, acabou qualquer debate. Qualquer um que tentasse proferir palavra, era calado pela falatória da senhorinha tagarela. Ela falava, falava, falava, e toda frase terminava com um irritante “tá”. Pouco era compreensível, então constatei que a tal não desejava convencer ninguém; ela só queria falar... O presidente da Câmara ordenou que desligassem o microfone dela, e o fizeram. Foi quando o rádio ficou mudo. Até mesmo quem tinha o aparelho ligado estava em silêncio. O motivo: a vereadora estava berrando de fundo, impedindo qualquer progresso na discussão.

Por fim, não vendo outra alternativa, o presidente resolveu encerrar os trabalhos. Enquanto a outra metralhava todos os ouvidos com uma chuva de palavras ininteligíveis, o digníssimo representante da população (ou simplesmente o membro de uma das chapas) terminou o blábláblá com um sonoro “essa sessão está SUSPENDIDA!”. Depois dessa, desliguei o rádio...

Aquilo que ouvimos periodicamente através dos meios de comunicação sobre “Sessão Extraordinária”, não passa de um bate-boca como costuma acontecer nos botecos. E, quanto a citar nomes, é melhor não o fazê-lo. O revólver ainda é, pelo visto, um importante instrumento para se fazer política...

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