quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Jesus tá tranquilo... Nós, não

Tá rolando uma foto pelo facebook, dum cara que tem uma comunidade no orkut a qual tem o seguinte título: "Jesus deveria ter apanhado mais". Então, como é de praxe, tem um pessoal fazendo campanha para excluir o responsável pela comunidade. Punir o cara.

Já ouvi comentários do tipo "... esse cara tem que apanhar mais..." ou "...o que é dele, tá guardado...". Essa gente não sabe nem o mínimo sobre a personagem Jesus, pois a lendária figura bíblica pregou, supostamente, que "Se derem-te um tapa, dá-lhe a outra face". E talvez sem nem perceber, mostram ser ele um deus vingativo e aterrorizante... "o que é dele, tá guardado...". Parece assim: Jesus, com sua mágica, vai te fazer apanhar mais do que ele, por teres feito isso...

Existem outras manifestações, que rolam pelo facebook, cuja importância é muito mais relevante quanto à atitude de um imbecil do orkut. Protesta-se contra a homofobia, o racismo, cobra-se dos políticos suas obrigações... Acho que é bobagem incomodar-se com essa comunidade.

Não querendo questionar a fé de ninguém (não agora), mas pra aqueles que creem, por que se ofender com esse tipo de coisa? O sujeito que se considerar cristão que se preocupe ele mesmo em não blasfemar contra seu deus. O crente que tenha confiança em seu próprio taco - ou no taco de Jesus... Se essa entidade se deixa atingir por uma coisa tão besta, ela não é mais poderosa do que seus prórpios servos...

Existe, sim, um problema significativamente inquietante acerca da "brincadeira" desse carinha: a violência. Não a violência contra Jesus, não. Jesus passou. Há quem diga que nem apanhou; outros, que nem existiu. Certamente um indivíduo que prega esse tipo de ataque tem ideias parecidas com as daqueles que hoje o estão agredindo ("esse cara tem que apanhar mais"). Aí sim, temos um problema pelo qual a sociedade tem motivos pra se preocupar. Esse tipo de elemento incentiva a brutalidade. Um tipo assim representa pessoas que demonstram uma falha tremenda na capacidade de controle dos impulsos mais negativos da suas mentes.

Ninguém mais vai encostar um dedo em Jesus. Ele não vai mais apanhar. Ele está intacto, seja onde for... Foquemo-nos nas mulheres, nas crianças, nos animais. Estejamos atentos a tudo aquilo que sofre violência. E tenhamos cuidado para que não sejamos logo aquilo que somos contrários...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O que Deus não vê, o Homem sente

Vi a publicação de uma foto no facebook, na qual há um homem de pé, apontando uma arma para outros três homens deitados ao lado de uma motocicleta caída, e uma multidão ao redor acompanhando ao acontecimento. Segundo a legenda da imagem, dois dos elementos caídos estão mortos e o terceiro está ferido. A cena é bem forte: há sangue por todo lado. O indivíduo armado seria um policial civil, que teria sido assaltado pelos delinquentes, e reagido com disparos.

Sob a fotografia, um texto revela o que aconteceu, e faz algumas críticas. Questiona, de forma tendenciosa, se algum “jornalista idiota” protestaria quanto ao tratamento dado aos “meninos” infratores, e se o pessoal dos “direitos humanos para vagabundos” cobraria da sociedade o dever de fazer algo por esses transgressores...

A violência no Brasil é evidente, nos aterroriza e nos revolta. Jamais qualquer pessoa que tenha o mínimo de esclarecimento absolveria a atitude animalesca desses criminosos. Por outro lado, qualquer um que tenha um pouco mais que o mínimo de esclarecimento entende que não é tão simples assim (pregar fogo em bandido) para resolver o problema da criminalidade.

Lendo os comentários acerca da foto, percebi que as opiniões não foram muito diversas. A grande maioria enxergou o policial como herói; outros entenderam que o homem revidara em legítima defesa; e uns poucos questionaram que os bandidos não deveriam sair impunes, mas que o policial não tinha a capacitação necessária para decidir sobre a vida dos meliantes (se é que alguém tem...). Ora, quando tem-se um caso de legítima defesa, em que a vítima corre sério risco de vida, e ela tem a possibilidade de eliminar sua ameaça da maneira que for, não é surpreendente que o faça. Ou, ao menos, não deveria ser, pois num momento desses, não se vê abertura qualquer para o diálogo. Porém, o texto deixa a entender que os patifes foram alvejados pelas costas, quando fugiam. Aí, não é uma questão de defesa, mas sim, assassinato, ou vingança. E não cabe aos membros da polícia, seduzirem-se ao instinto vingativo.

Outra opinião que li sobre a bandidagem abatida era de que os mesmos fossem a “escória da sociedade”. É muito complexo definir o que não presta na nossa sociedade. Por isso, penso que ao invés de determinarmos, devamos questionar os porquês de as coisas não prestarem. Será que o marginal gosta de ser marginal? Ele teve outra oportunidade de não o sê-lo? É possível que alguém seja feliz vivendo como essa gente, que tem de dormir “com um olho fechado e outro aberto”? Pois, assim como não temos paz, esse pessoal tem menos ainda!

O que vejo é que esse homens e mulheres que vivem à margem da lei, são apenas as conseqüências de um sistema social ineficaz e obsoleto, o qual aparece aos nossos olhos como a coisa ideal a se seguir. Os líderes do povo, no alto de seus pedestais, com seus ternos importados, não pegam em armas (em geral) para amedrontar a população cidadã, mas desviam as verbas que são destinadas à saúde, à educação, à segurança... Demonstram descaso total para com aqueles que não nasceram em berço, mas em jornais estendidos no chão. Nossos governantes proporcionam trabalhos injustos ao povo; e como nem todos são iguais, muitos se revoltam de maneira grotesca, porque nem isso aprenderam a empregar: uma rebeldia consciente. E então, os “cidadãos” condenam sem julgamento algum esses elementos, como se esses últimos tivessem escolhido o seu modo de vida. Talvez, nem isso tenham: capacidade para saberem o que querem...

O texto que se segue à foto termina com “Graças a Deus, tem policiais competentes em nosso país!”. Por outro lado, “Ele” porventura não perceba que a competência policial não é suficiente para evitar que surjam criminosos que apavoram e intimidam toda a sociedade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Abuso

Esperei
Esperei até agora
E ela estava aqui
Mas não me falou
Então, vou me deitar
Mas,
Que ela não me apareça em sonho!
Aí, já é demais!...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Blábláblá na Câmara

Estava ouvindo pelo rádio a transmissão das eleições para a presidência da Câmara de Vereadores de Taquara, no último dia 16 de novembro. Um pouco antes, uma vereadora falou ao vivo por telefone com o apresentador do programa, e contou que um homem havia ameaçado de entrar com uma arma em seu gabinete, exigindo que ela votasse num “fulano de tal”, e que se fosse diferente, ela iria “se incomodar”.... Ora, se isso seja coisa que aconteça na política do século XXI...

Voltando à eleição, só o que percebi foram disputas partidárias, acusações de ambas as partes, discussões sem sentido, e uma falta de retórica que me levou a concluir que ninguém ali sequer tenha ouvido falar em Cícero. Mas o que importa Cícero? A maioria deles não conhece a história da própria cidade!

Uma palavra que creio não ter ouvido uma única vez foi “povo”. Se havia alguma honra a ser defendida, era a dos partidos e suas alianças, e ainda teve gente gritando algo do tipo: “O senhor respeite essa casa!”. Mas a palavra “povo” nunca era citada. Tudo bem... Quem poderia exigir que se falasse no povo, quando mulheres e homens tão importantes argumentavam sobre o futuro... deles, no poder?

De repente uma vereadora (não a mesma que foi ameaçada com o cabresto) pegou o microfone e começou a falar de uma maneira desesperada, quase beirando o desequilíbrio, um português horroroso, e gritos, gritos que tornavam sua voz insuportável! Nesse momento, acabou qualquer debate. Qualquer um que tentasse proferir palavra, era calado pela falatória da senhorinha tagarela. Ela falava, falava, falava, e toda frase terminava com um irritante “tá”. Pouco era compreensível, então constatei que a tal não desejava convencer ninguém; ela só queria falar... O presidente da Câmara ordenou que desligassem o microfone dela, e o fizeram. Foi quando o rádio ficou mudo. Até mesmo quem tinha o aparelho ligado estava em silêncio. O motivo: a vereadora estava berrando de fundo, impedindo qualquer progresso na discussão.

Por fim, não vendo outra alternativa, o presidente resolveu encerrar os trabalhos. Enquanto a outra metralhava todos os ouvidos com uma chuva de palavras ininteligíveis, o digníssimo representante da população (ou simplesmente o membro de uma das chapas) terminou o blábláblá com um sonoro “essa sessão está SUSPENDIDA!”. Depois dessa, desliguei o rádio...

Aquilo que ouvimos periodicamente através dos meios de comunicação sobre “Sessão Extraordinária”, não passa de um bate-boca como costuma acontecer nos botecos. E, quanto a citar nomes, é melhor não o fazê-lo. O revólver ainda é, pelo visto, um importante instrumento para se fazer política...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Canto a Zé Pelintra

Eu encontrei Zé Pelintra na estrada
Conselheiro das falanges de Exu
Chapéu de palha, e de lenço no pescoço
Se juntou à corja de Omolu

Pelintra era um grande feiticeiro
No Catimbó, ele nasceu e se criou
A Umbanda deu pra ele um Cruzeiro
Mas, na Calunga, é que Zé Pelintra se firmou

No caminho, Zé Pelintra me contou
Que a Jurema fez pra ele um pedido
Que trouxesse para ela o grande amor
Que na Mata, havia se perdido

Pelintra foi, então, até um bosque
Ajoelhou-se, admirando uma flor
Fez com ela um feitiço, um encanto
E a Jurema, o amado, encontrou

A Jurema foi à porta da Calunga
Agradecer, mas o Seu Zé, não encontrou
Ele 'tava debruçado numa tumba
Chorando pela mulher que não lhe amou...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De um Amante Glacial

Ai esse calor... Calor horroroso; sensação insuportável de impotência. Essa temperatura sólida como um cobertor imposto pela natureza indiferente. Um mormaço que torna os indivíduos desonrados por não terem reação. Esse calor, senhor o qual torna as vítimas, escravos... A decadência existencial representada num bafo ininterrupto... Os cães vomitando as próprias línguas; os gatos esticados em lajotas sob a sombra. Mas nada, nada adianta. Até a sombra queima nesse calor; mesmo a noite é castigante. A nudez é inútil. A água que cai no corpo é quente. Se é fácil levantar cedo da cama, há adiante um dia complicadamente infernal a se suportar. Banho de rio ou de piscina, nada supera. O suor escorre debaixo d'água. Hajam perfumes para mascarar a cara humana que é revelada sem tais artifícios...
Ai que saudades do Inverno... Amável conforto romântico que os ventos gelados proporcionam, aproximando os amantes um do outro. Estação que limita o sol a apenas nos agradar. E quando o frio se aspresenta rigoroso, mantas, toucas, luvas e casacões acariciam os elementos, dando-lhes beleza e erudição. Os mesmos cães e gatos mostram-se pomposos e felpudos. O fogo na lareira, o cheiro da madeira queimando - madeira queimando, não seres vivos! E a comida é mais saborosa quando feita no fogão à lenha. O apetite é reforçado; come-se com mais prazer. Bebe-se com mais prazer, e a ressaca do dia seguinte não é tão sofrida. Ai Inverno, que não podes permanecer por aqui o ano inteiro. Que ao menos tu respingues teus prazeres na face severa do Verão, mostrando-lhe que estamos subjugados a ele apenas momentaneamente, e que tu voltarás inevitavelmente, nobre e fausto como o teu antagonista não o pode ser...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Seis por Meia-dúzia

Mais um ministro do governo Dilma que cai por suspeita de corrupção. Dessa vez o Orlando Silva, do PC do B. Cada vez mais se percebe que não existe diferença entre partidos, nesse país. No Brasil só existe "A Política". Tudo faz parte de um sistema. Não há mais Direita ou Esquerda aqui; há a Situação e a Oposição. Os governistas dirão que isso tudo não passa de intriga da oposição... Não importa.... Está lá, sujo, manchado. Outra possibilidade de ter havido roubalheira... E então, substitui-se um por outro, e assim vai... Sempre assim... E a oposição de hoje, pode vir a ser a situação de amanhã; e a oposição de amanhã fará as mesmas intrigas que a de hoje. E nesses jogos de interesses, nessas maquinações desmoralizadoras, nós, o povo, ficamos sabendo das maracutaias de nossos líderes... Mas eles se mantêm lá no alto de nossas vontades. Só trocam esse, por aquele. Essa é a vez de Orlando Silva por Aldo Rebelo... Esse último, por sinal, amigão de Paulo Maluf...