quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Canários de Cuba

Os admiradores de Cuba nos mostram, periodicamente, um dado interessante e realmente louvável acerca de um aspecto das condições de vida de seus habitantes. Cento e quarenta e poucos milhões de crianças morrem de desnutrição em todo o mundo, e nenhuma é cubana. Pois bem, a ração lhes é dada. De fome aquela gente não morre. Como um canário, o povo de estimação de Fidel Castro recebe alimentação, água, cuidados médicos e uma moradia, um lugar onde se deve viver. Porém, assim como o pássaro canoro, em Cuba a população deve cantar conforme a música. Suas vozes devem ser afinadas e agradáveis aos ouvidos de seu mestre, pois, nada mais justo que agraciar aquele que lhes dá o alpiste de cada dia, com aquilo que ele deseja ouvir. Então os cubanos pulam, cantarolam felizes, voam de poleiro em poleiro, tudo isso dentro dos limites de sua pequena e enferrujada gaiola. Entretanto, semelhante ao canário estragado, aqueles de voz estridente e de música sem harmonia têm seu bico cortado, ou são eliminados de várias formas para que não influenciem a canção dos demais. Mas esses são poucos. A maioria se mostra feliz, com sorrisos suspeitos no rosto, bajulando, se submetendo e agradecendo ao seu bondoso dono que, além de tudo isso que generosamente ele lhes dá, ainda lhes priva de ter conhecimento dos fatos tenebrosos do mundo de fora... Mas a pergunta que não quer calar é: se a gaiola for aberta, o canário irá voltar?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um Cara Maduro

Vou parar de sair à noite. Vou virar um cara maduro. Vou parar de pensar em festas, em diversão, não vou mais gostar de me divertir... Já tá na hora de parar com a cervejada em dias de semana; tá na hora de dar um tempo pra folia. É hora de pensar no trabalho, nas responsabilidades, em obter o sucesso financeiro... É hora de batalhar para comprar um carro e, depois de muito suor derramado, construir minha casinha pois, é o momento de arrumar uma namorada para noivar, casar, pôr uma aliança no dedo e planejar uma vida para criar os filhos. Não vou mais me juntar aos amigos durantes as tardes quase todos os dias para trocar ideias filosóficas, falar sobre poesias, dar gargalhadas. Não. Não vou mais ser um sonhador. Quero ser um cara maduro. Vou pôr os "pés no chão"... Meu objetivo será o foco na profissão, investir a vida na carreira. Isso sim é importante. Chega de me deleitar com a música, que me proporciona sensações extasiantes: é devaneio! Vou cortar o meu cabelo, já tá na hora! Já ta mais que na hora de eu me vestir como “homenzinho”. O tempo de pensar num mundo melhor passou. De agora em diante, irei me conformar que a vida é desgastante, sofrida. Não vou mais protestar contra opressões e ordens arbitrárias. O certo é engolir os sapos, o certo é se submeter. É assim que funciona! "Sempre foi desse jeito". Vou aprender a detestar o ócio, o qual me deixa prazerosamente confortável. Vou deixar de ser um vagabundo, para ser um homem decente, para ser um cara maduro. Não mais vou sonhar, almejar, querer, imaginar... Me privarei de apreciar as artes. Vou sair do mundo-da-lua. Serei um cara sério e respeitável, trabalhador. Vou abrir mão de tudo o que me faz bem. Todo mundo faz desse jeito. E, me inspirando nas pessoas, vou fazer como todo mundo faz: vou fingir que sou feliz... Vou ser um cara maduro...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ilustres Filhos

Lendo sobre a polêmica acerca da mudança do nome da Avenida Presidente Castelo Branco, em Porto Alegre, lembrei-me de uma vez que entrei na prefeitura de Taquara e (não me vem à memória o que eu fazia lá) me sentei próximo à entrada do gabinete do prefeito. Não tendo o que fazer, sem companhia, olhando pra o teto e para as paredes, percebi um quadro pintado à mão, de uma figura pomposa e severa. Logo abaixo da moldura, uma plaqueta de metal identificava o dito cujo. Dizia assim: “Gal. Adalberto Pereira dos Santos, Vice-Presidente da República, ilustre filho de Taquara”.

Aqueles que não têm conhecimento de quem foi, olham pra aquele retrato e provavelmente sentem orgulho de serem conterrâneos de uma personalidade política tão importante da história do país. O que eles ignoram é que Adalberto Pereira dos Santos foi um dos líderes e responsáveis por um dos piores períodos da república brasileira: ele foi o Vice-Ditador do mandato de Ernesto Geisel (1974 – 1979).

O que me chamou a atenção foi o fato de estarmos em uma época na qual se fala tanto em Democracia, as ditaduras estão tão fora de moda, a liberdade de expressão é tão amplamente almejada, e na cidade de Taquara, quase de fronte à porta do prefeito, uma homenagem a um déspota... Por aqui, me parece que basta apenas ter estado no poder e já se é digno de honrarias. Tanto faz se o sujeito foi um tirano facínora, perseguidor de intelectuais e artistas contrários a ele, carrasco do próprio povo... Isso parece não ter importância.

Fico imaginando percorrer, um dia, a cidade de Braunau am Inn, no norte da Áustria, e visitando sua prefeitura, encontrar em frente à sala de seu prefeito uma pintura identificada por uma plaqueta de bronze: “Adolf Hitler, Füher do III Reich, ilustre filho da cidade”... Aqui no Brasil, em Porto Alegre, o vereador Pedro Ruas propõe a mudança do nome da Avenida Presidente Castelo Branco para Avenida da Legalidade, homenageando logo um movimento heróico protagonizado pelo então governador do estado Leonel Brizola, que atrasou por cerca de três anos o golpe militar e a subida dos crápulas ao poder e consequentemente o sofrimento da população. Quem sabe aqui em Taquara devamos tirar o quadro do ditador e, caso não se encontre um único tipo a ser homenageado na cidade, deixemos sem quadro algum. A parede é mais bonita que aquela carranca.

Francamente, na minha opinião, a maioria daqueles quadros de prefeitos taquarenses não estaria ali. Mas isso é canja pra uma outra oportunidade....

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Adeus ao Otimista...

E eu sendo otimista
Agarrando-me em fantasias
Projetando futuros vagos
Esperando sorrisos impossíveis

É melhor fingir pra mim mesmo
Viver entre meus elfos
Dançar com minhas fadas
Chorar junto aos poetas

Existir no meu cosmo
Onde Homens são Homens
Cavalos são cavalos
E mulheres amam homens,
não cavalos

Quero entrar em meu autismo
E quando o fizer, não sair mais
Quem me der um último adeus
Lembrarei pra sempre, em meu éter

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Jesus tá tranquilo... Nós, não

Tá rolando uma foto pelo facebook, dum cara que tem uma comunidade no orkut a qual tem o seguinte título: "Jesus deveria ter apanhado mais". Então, como é de praxe, tem um pessoal fazendo campanha para excluir o responsável pela comunidade. Punir o cara.

Já ouvi comentários do tipo "... esse cara tem que apanhar mais..." ou "...o que é dele, tá guardado...". Essa gente não sabe nem o mínimo sobre a personagem Jesus, pois a lendária figura bíblica pregou, supostamente, que "Se derem-te um tapa, dá-lhe a outra face". E talvez sem nem perceber, mostram ser ele um deus vingativo e aterrorizante... "o que é dele, tá guardado...". Parece assim: Jesus, com sua mágica, vai te fazer apanhar mais do que ele, por teres feito isso...

Existem outras manifestações, que rolam pelo facebook, cuja importância é muito mais relevante quanto à atitude de um imbecil do orkut. Protesta-se contra a homofobia, o racismo, cobra-se dos políticos suas obrigações... Acho que é bobagem incomodar-se com essa comunidade.

Não querendo questionar a fé de ninguém (não agora), mas pra aqueles que creem, por que se ofender com esse tipo de coisa? O sujeito que se considerar cristão que se preocupe ele mesmo em não blasfemar contra seu deus. O crente que tenha confiança em seu próprio taco - ou no taco de Jesus... Se essa entidade se deixa atingir por uma coisa tão besta, ela não é mais poderosa do que seus prórpios servos...

Existe, sim, um problema significativamente inquietante acerca da "brincadeira" desse carinha: a violência. Não a violência contra Jesus, não. Jesus passou. Há quem diga que nem apanhou; outros, que nem existiu. Certamente um indivíduo que prega esse tipo de ataque tem ideias parecidas com as daqueles que hoje o estão agredindo ("esse cara tem que apanhar mais"). Aí sim, temos um problema pelo qual a sociedade tem motivos pra se preocupar. Esse tipo de elemento incentiva a brutalidade. Um tipo assim representa pessoas que demonstram uma falha tremenda na capacidade de controle dos impulsos mais negativos da suas mentes.

Ninguém mais vai encostar um dedo em Jesus. Ele não vai mais apanhar. Ele está intacto, seja onde for... Foquemo-nos nas mulheres, nas crianças, nos animais. Estejamos atentos a tudo aquilo que sofre violência. E tenhamos cuidado para que não sejamos logo aquilo que somos contrários...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O que Deus não vê, o Homem sente

Vi a publicação de uma foto no facebook, na qual há um homem de pé, apontando uma arma para outros três homens deitados ao lado de uma motocicleta caída, e uma multidão ao redor acompanhando ao acontecimento. Segundo a legenda da imagem, dois dos elementos caídos estão mortos e o terceiro está ferido. A cena é bem forte: há sangue por todo lado. O indivíduo armado seria um policial civil, que teria sido assaltado pelos delinquentes, e reagido com disparos.

Sob a fotografia, um texto revela o que aconteceu, e faz algumas críticas. Questiona, de forma tendenciosa, se algum “jornalista idiota” protestaria quanto ao tratamento dado aos “meninos” infratores, e se o pessoal dos “direitos humanos para vagabundos” cobraria da sociedade o dever de fazer algo por esses transgressores...

A violência no Brasil é evidente, nos aterroriza e nos revolta. Jamais qualquer pessoa que tenha o mínimo de esclarecimento absolveria a atitude animalesca desses criminosos. Por outro lado, qualquer um que tenha um pouco mais que o mínimo de esclarecimento entende que não é tão simples assim (pregar fogo em bandido) para resolver o problema da criminalidade.

Lendo os comentários acerca da foto, percebi que as opiniões não foram muito diversas. A grande maioria enxergou o policial como herói; outros entenderam que o homem revidara em legítima defesa; e uns poucos questionaram que os bandidos não deveriam sair impunes, mas que o policial não tinha a capacitação necessária para decidir sobre a vida dos meliantes (se é que alguém tem...). Ora, quando tem-se um caso de legítima defesa, em que a vítima corre sério risco de vida, e ela tem a possibilidade de eliminar sua ameaça da maneira que for, não é surpreendente que o faça. Ou, ao menos, não deveria ser, pois num momento desses, não se vê abertura qualquer para o diálogo. Porém, o texto deixa a entender que os patifes foram alvejados pelas costas, quando fugiam. Aí, não é uma questão de defesa, mas sim, assassinato, ou vingança. E não cabe aos membros da polícia, seduzirem-se ao instinto vingativo.

Outra opinião que li sobre a bandidagem abatida era de que os mesmos fossem a “escória da sociedade”. É muito complexo definir o que não presta na nossa sociedade. Por isso, penso que ao invés de determinarmos, devamos questionar os porquês de as coisas não prestarem. Será que o marginal gosta de ser marginal? Ele teve outra oportunidade de não o sê-lo? É possível que alguém seja feliz vivendo como essa gente, que tem de dormir “com um olho fechado e outro aberto”? Pois, assim como não temos paz, esse pessoal tem menos ainda!

O que vejo é que esse homens e mulheres que vivem à margem da lei, são apenas as conseqüências de um sistema social ineficaz e obsoleto, o qual aparece aos nossos olhos como a coisa ideal a se seguir. Os líderes do povo, no alto de seus pedestais, com seus ternos importados, não pegam em armas (em geral) para amedrontar a população cidadã, mas desviam as verbas que são destinadas à saúde, à educação, à segurança... Demonstram descaso total para com aqueles que não nasceram em berço, mas em jornais estendidos no chão. Nossos governantes proporcionam trabalhos injustos ao povo; e como nem todos são iguais, muitos se revoltam de maneira grotesca, porque nem isso aprenderam a empregar: uma rebeldia consciente. E então, os “cidadãos” condenam sem julgamento algum esses elementos, como se esses últimos tivessem escolhido o seu modo de vida. Talvez, nem isso tenham: capacidade para saberem o que querem...

O texto que se segue à foto termina com “Graças a Deus, tem policiais competentes em nosso país!”. Por outro lado, “Ele” porventura não perceba que a competência policial não é suficiente para evitar que surjam criminosos que apavoram e intimidam toda a sociedade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Abuso

Esperei
Esperei até agora
E ela estava aqui
Mas não me falou
Então, vou me deitar
Mas,
Que ela não me apareça em sonho!
Aí, já é demais!...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Blábláblá na Câmara

Estava ouvindo pelo rádio a transmissão das eleições para a presidência da Câmara de Vereadores de Taquara, no último dia 16 de novembro. Um pouco antes, uma vereadora falou ao vivo por telefone com o apresentador do programa, e contou que um homem havia ameaçado de entrar com uma arma em seu gabinete, exigindo que ela votasse num “fulano de tal”, e que se fosse diferente, ela iria “se incomodar”.... Ora, se isso seja coisa que aconteça na política do século XXI...

Voltando à eleição, só o que percebi foram disputas partidárias, acusações de ambas as partes, discussões sem sentido, e uma falta de retórica que me levou a concluir que ninguém ali sequer tenha ouvido falar em Cícero. Mas o que importa Cícero? A maioria deles não conhece a história da própria cidade!

Uma palavra que creio não ter ouvido uma única vez foi “povo”. Se havia alguma honra a ser defendida, era a dos partidos e suas alianças, e ainda teve gente gritando algo do tipo: “O senhor respeite essa casa!”. Mas a palavra “povo” nunca era citada. Tudo bem... Quem poderia exigir que se falasse no povo, quando mulheres e homens tão importantes argumentavam sobre o futuro... deles, no poder?

De repente uma vereadora (não a mesma que foi ameaçada com o cabresto) pegou o microfone e começou a falar de uma maneira desesperada, quase beirando o desequilíbrio, um português horroroso, e gritos, gritos que tornavam sua voz insuportável! Nesse momento, acabou qualquer debate. Qualquer um que tentasse proferir palavra, era calado pela falatória da senhorinha tagarela. Ela falava, falava, falava, e toda frase terminava com um irritante “tá”. Pouco era compreensível, então constatei que a tal não desejava convencer ninguém; ela só queria falar... O presidente da Câmara ordenou que desligassem o microfone dela, e o fizeram. Foi quando o rádio ficou mudo. Até mesmo quem tinha o aparelho ligado estava em silêncio. O motivo: a vereadora estava berrando de fundo, impedindo qualquer progresso na discussão.

Por fim, não vendo outra alternativa, o presidente resolveu encerrar os trabalhos. Enquanto a outra metralhava todos os ouvidos com uma chuva de palavras ininteligíveis, o digníssimo representante da população (ou simplesmente o membro de uma das chapas) terminou o blábláblá com um sonoro “essa sessão está SUSPENDIDA!”. Depois dessa, desliguei o rádio...

Aquilo que ouvimos periodicamente através dos meios de comunicação sobre “Sessão Extraordinária”, não passa de um bate-boca como costuma acontecer nos botecos. E, quanto a citar nomes, é melhor não o fazê-lo. O revólver ainda é, pelo visto, um importante instrumento para se fazer política...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Canto a Zé Pelintra

Eu encontrei Zé Pelintra na estrada
Conselheiro das falanges de Exu
Chapéu de palha, e de lenço no pescoço
Se juntou à corja de Omolu

Pelintra era um grande feiticeiro
No Catimbó, ele nasceu e se criou
A Umbanda deu pra ele um Cruzeiro
Mas, na Calunga, é que Zé Pelintra se firmou

No caminho, Zé Pelintra me contou
Que a Jurema fez pra ele um pedido
Que trouxesse para ela o grande amor
Que na Mata, havia se perdido

Pelintra foi, então, até um bosque
Ajoelhou-se, admirando uma flor
Fez com ela um feitiço, um encanto
E a Jurema, o amado, encontrou

A Jurema foi à porta da Calunga
Agradecer, mas o Seu Zé, não encontrou
Ele 'tava debruçado numa tumba
Chorando pela mulher que não lhe amou...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De um Amante Glacial

Ai esse calor... Calor horroroso; sensação insuportável de impotência. Essa temperatura sólida como um cobertor imposto pela natureza indiferente. Um mormaço que torna os indivíduos desonrados por não terem reação. Esse calor, senhor o qual torna as vítimas, escravos... A decadência existencial representada num bafo ininterrupto... Os cães vomitando as próprias línguas; os gatos esticados em lajotas sob a sombra. Mas nada, nada adianta. Até a sombra queima nesse calor; mesmo a noite é castigante. A nudez é inútil. A água que cai no corpo é quente. Se é fácil levantar cedo da cama, há adiante um dia complicadamente infernal a se suportar. Banho de rio ou de piscina, nada supera. O suor escorre debaixo d'água. Hajam perfumes para mascarar a cara humana que é revelada sem tais artifícios...
Ai que saudades do Inverno... Amável conforto romântico que os ventos gelados proporcionam, aproximando os amantes um do outro. Estação que limita o sol a apenas nos agradar. E quando o frio se aspresenta rigoroso, mantas, toucas, luvas e casacões acariciam os elementos, dando-lhes beleza e erudição. Os mesmos cães e gatos mostram-se pomposos e felpudos. O fogo na lareira, o cheiro da madeira queimando - madeira queimando, não seres vivos! E a comida é mais saborosa quando feita no fogão à lenha. O apetite é reforçado; come-se com mais prazer. Bebe-se com mais prazer, e a ressaca do dia seguinte não é tão sofrida. Ai Inverno, que não podes permanecer por aqui o ano inteiro. Que ao menos tu respingues teus prazeres na face severa do Verão, mostrando-lhe que estamos subjugados a ele apenas momentaneamente, e que tu voltarás inevitavelmente, nobre e fausto como o teu antagonista não o pode ser...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Seis por Meia-dúzia

Mais um ministro do governo Dilma que cai por suspeita de corrupção. Dessa vez o Orlando Silva, do PC do B. Cada vez mais se percebe que não existe diferença entre partidos, nesse país. No Brasil só existe "A Política". Tudo faz parte de um sistema. Não há mais Direita ou Esquerda aqui; há a Situação e a Oposição. Os governistas dirão que isso tudo não passa de intriga da oposição... Não importa.... Está lá, sujo, manchado. Outra possibilidade de ter havido roubalheira... E então, substitui-se um por outro, e assim vai... Sempre assim... E a oposição de hoje, pode vir a ser a situação de amanhã; e a oposição de amanhã fará as mesmas intrigas que a de hoje. E nesses jogos de interesses, nessas maquinações desmoralizadoras, nós, o povo, ficamos sabendo das maracutaias de nossos líderes... Mas eles se mantêm lá no alto de nossas vontades. Só trocam esse, por aquele. Essa é a vez de Orlando Silva por Aldo Rebelo... Esse último, por sinal, amigão de Paulo Maluf...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ele

Ele cresceu como um fraco, aos olhos dos outros. Ele era visto como um covarde, e ainda assim, era inveja que tinham dele. Ele não jogava bola com todo mundo. Ele era ridicularizado por gostar de ler. Ele era pequeno e sem resistência. Ele cresceu um pouco, e foi um pouco mais aceito. Ele era simpático e divertido, porém, era ansioso. Ele queria atenção, e por vezes, tinha, mas não como gostaria de ter. Ele era solitário, mesmo que numa multidão. Ele largou sua velha vida, mesmo que contra a sua vontade. Ele recomeçou, triste, e permeou, triste. Ele conheceu ela, e passou a ser feliz. Ele amou ela, e passou a se orgulhar de si. Ele adquiriu auto-estima, sem saber que era por causa dela. Ele continuou amando ela. Ele amava muito ela, e brigava muito, também. Ele passou bastante tempo com ela. Ele era seguro de si, e inseguro por conta dela. Ele ouvia ela dizer que ele era o amor da vida dela. Ele dizia que ela era o amor da vida dele. Ele era feliz por ter ela, e dava a si pra ela por isso. Ele ouviu dela, um dia, que ela não gostava mais dele. Ele, ainda gostava dela. Ele reconheceu que fora rude com ela, mas achou-se incompreendido. Ele foi deixado por ela. Ele teve medo de ser infeliz, de novo. Ele foi infeliz, por bastante tempo. Ele chorou e amaldiçoou. Ele amargou durante muito tempo. Ele teve medo da solidão, e apareceu para ele uma nova possibilidade. Ele viu a possibilidade ir embora. Ele sonhou com inúmeras possibilidades, e criou expectativas. Ele se frustrou mais e mais. Ele questionou-se a si próprio, e descobriu-se. Ele percebeu um pouco de si. Ele não viu mais ela, e sentiu menos sua falta. Ele gostou de si, pois viu que podia ser seu próprio amor. Ele, então, voltou a sorrir, e amou-se a si mesmo, ainda que dentro de seu quarto, sob a luz da lamparina. Ele apaixonou-se, mas não se escravizou. Ele sentiu-se liberto, pois percebia, então, que tinha ao seu lado o ser mais poderoso de seu tempo: ele próprio, para consigo mesmo...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

"O Trabalho Enobrece o Homem"

O que enobrece o homem é o respeito pela liberdade individual de outro homem; o que enobrece o homem é o respeito pelo direito de outrem exercer sua autonomia. O trabalho nada mais é que a necessidade, e não há nada de digno na necessidade. Seria o carrasco indigno, sem valor ou identidade, se não cortasse cabeças ou abrisse cadafalsos?
Não é nobre o trabalho. Nobre é a criação espontânea, o exercício da vontade; e isso não deve ser chamado de trabalho, e sim, arte... "O trabalho enobrece o homem..." é aforismo de patrão para submeter o empregado às suas ordens, sem questioná-lo...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para Morgana das Fadas

Amei muito!
Adorei
Adorei e divulguei
Exibi

Me exibi

Porque não foi simples
Não foi comum
Foi lindo
Foi teu

Só podia ser teu

Confesso
Fiquei nervoso
Frio na espinha
Perna mole

Coração mole

Vou retribuir?
Vou conseguir?
Como saber?
Como vou atingir?

Como fui atingido

Minhas palavras
Pobres palavras
Verbetes ridículos
Diante das tuas

Líricas...

Mas, se me calo
Me afogo
Ansioso
Em te dizer

Então, digo

Quero-te
Pra mim
Pois sou egoísta
Sou, sim

Sim

Sou Übermensch
De frases apressadas
Pois o verbo me foge
Sobre a Morgana das Fadas

Deusa entre as Fadas

De mim, tipo "Pagu"

Descobri que sou um amante... um amador... sei-lá...
Me peguei contemplando um gosto, de certa forma, inusitado.
Percebi que gosto de amar.
Não havia enxergado o quanto me faz bem gostar, admirar, amar...
Eu adoro amar!
Tenho a impressão que, quando não amo, faço força pra amar.
Sim, gosto de mimar, bajular...
Abraços?! Adoro dar abraços! Fazer carinhos... Fazer sentir bem...
Se for possível ser motivo do regozijo de outrem...!!!
Meu prazer é ser prazer...
Às vezes penso que me basta apenas amar.
Às vezes penso que nem preciso ser amado.
Tudo bem... não sei...
Não sei se é bem assim...
É que um sentimento me incomoda mais.
Mais do que a possibilidade de não ser correspondido.
Por vezes, receio que quem não me ama não aceita meu amor.
Rejeita...
Frustra.
E, de certa maneira, acabo fazendo mal pra mim mesmo.
Pois não consigo parar!
Nunca tentei, e nem quero tentar!
É um vício.
Devo procurar ajuda, tratamento?
Venero esse tormento...
Nem quero me salvar!
Estou condenado a amar...

sábado, 21 de maio de 2011

É Realmente Irritante

É realmente irritante. Na verdade, quando acontece comigo, minha vontade é de começar um discurso interminável, uma retórica eloquente, mexendo os braços, fazendo gestos, dirigindo palavras duras (mas não de baixo nível)!!! Então eu me acalmo. Procuro me lembrar que o Cristianismo foi pro beleléu... Em relativos poucos anos, essa gente já vai estar extinta. A nova geração de crentes nem consegue, por mais que se esforce, seguir os passos dos seus tolos pais. Isso me causa um alívio na hora da irritação. Paciência não é fácil. Mas, quando consigo me manter em silêncio, ironicamente penso pra mim mesmo sobre os chatos cristãos: "eles nem sabem o fazem"...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Tempo da Glória

As pessoas têm o costume de achar que as glórias de seu próprio povo estão no passado. Talvez por isso, elas pensem que o presente deva voltar ao que fora antes.
Eu digo que as glórias não estão no passado, mas no futuro; nem no presente estão, uma vez que ainda devem ser construídas.
Que povo alcançou qualquer tipo de glória? O máximo que se viu, que eu lembre, de ações coletivas foram guerras, uma fuga ou outra... Tudo banhado em violência.
Não vejo a Glória no passado de nenhum povo. O mais próximo que se chegou da Glória foram Homens individuais que, assim como eu hoje, tentaram lapidar a Glória para um futuro, próximo ou não.
Mas, o que é essa Glória? Eu penso que seja a gloriosa Paz. A paz que só pode ser encontrada através da liberdade, da busca pelo entendimento, da reflexão...
Se eu pudesse dizer para esses meus semelhantes que buscavam a Glória como eu, eu seria-lhes um mensageiro de más notícias, pois em meu tempo a Paz ainda não foi alcançada, nem de perto. E, receio que em tempos à minha frente, outro equivalente a nós nos tenha as mesmas notícas a dar.
Não é no passado que veremos glórias, portanto, busquemos pelo futuro.

A História se Repete

Eu,
Mais um bêbado,
Mais um poeta,
Isolado
Numa ilha de reflexões

Sem esposa,
Sem filhos,
Poucos amigos,
Incompreendido,
Abandonado

Só acompanha a mim
Eu mesmo;
E os Filósofos
E as Letras

Ai de mim
Me ter dó
Ou
Ter pena nenhuma,
E sofrer na Bastilha,
Ou morrer no manicômio.

Verme Nobre\Nobre Verme

Sei que sou um verme
Eis, então, que sou nobre
Na verdade, verme é tu
Que só tens a pose e a alma pobre