terça-feira, 27 de julho de 2010

A Propagadora da Paz

Houve um reboliço entre os amigos do velho João Pedro, um dos mais importanmtes membros da alta elite da cidade. Essa elite, não diferente das elites das demais "províncias" desses lados do sul, era certamente tradicional, conservadora.
Acontece que, a filha mais nova do velho João Pedro (católico, pai de seis filhos) resolveu converter-se ao budismo. E, antes de chegar aos ouvidos de seu círculo aristocrático, a polêmica já atingia a família.
_ "O que os outros vão dizer?!"
Mas não teve jeito. Ela já até se mudara para um retiro daquela religião estranha.

No início foi difícil para João Pedro. Porém, ele já estava velho, e parecia, ao menos, engolir a ideia. Pois, àquela altura da vida, o homem passara a aceitar as dúvidas sobre qual religião era a certa, qual a errada... Sobre o que viria a ser o certo ou o errado.

Doravante, o maior motivo do fuxico alheio era a suposta condescendência do pai para com a atitude da filha. As pessoas estavam mais escandalizadas com a tolerância do velho João Pedro do que com a conversão de sua rebenta.

Em uma certa ocasião, num evento festivo da fidalguia daquela cidade, os olhos e murmúrios dos convidados se voltavam, obviamente, para o velho João Pedro. Até que um fofoqueiro angustiado, audaciosamente dirigiu-se a João Pedro perguntando-lhe sobre a filha. Foi quando o salão parou e silenciou.
João Pedro, de forma branda, mas com voz firme, respondeu para que todos ouvissem:
_" Minha filha está muito bem. Alimenta-se de verduras e legumes que ela mesma planta. Desfruta do silêncio e dos sons da Natureza, e não sofre com o caótico barulho das máquinas e dos automóveis.
_"Não sei o que esses tais budistas pensam. Nem conheço seus princípios e valores. Apenas sei que minha filha vive em paz. E, dessa forma, proporciona paz para nós, que ficamos aqui.
Porque, uma vez que ela não está aqui a prejudicar e a atormentar os outros, ela está propagando a paz."

Nenhum comentário:

Postar um comentário