terça-feira, 27 de julho de 2010

O Poeta e o Cão

Descendo da carona que havia conquistado
O Poeta sentiu o inverno que se mostrara
E quem na lomba deserta descia gelado
Era um vento calado que exibia a cara

O ermo, egoísta, ao Poeta negava
O direito de qualquer companhia
Mas a despeito da brisa escandinava
Naquele limbo uma vida se movia

Era um cachorro que parecia sarnento
E, morrendo de fome, provavelmente
E o Poeta pensou, por aquele momento
Sobre a solidão de um ser decadente

Ciente de sua impotência, então
O Poeta seguiu o seu gélido caminho
Pois não tinha como acolher àquele cão,
Estando já lotado seu apertado ninho

O bicho ficara para trás, supostamente
E o Poeta já vencera avenida e quarteirão
Ia andando devagar, perdido na própria mente
Quando percebeu, novamente, a presença do cão

Sentiu incômodo num momento primeiro
Pois, seria responsável pela criatura?
E para apagar o leve desespero
Procurou no pensamento a própria cura

Seria aquele cachorro, um anjo
A guardar as costas do personagem lírico?
Ou apenas do Universo, um arranjo
De mostrar seu elo com Diógenes, o Cínico?

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