quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Casa Sinistra

Ao passar em frente à Igreja Católica da cidade, numa tarde dessas, deparei com uma cena um tanto quanto assombrosa: olhei para dentro da dita "sagrada casa" e vi o escuro. As trevas! O lugar era completamente negro, pavoroso. Não havia luz alguma, a não ser a luz que trespassava dois vitrais - que não iluminava nada senão os desenhos no vidro - e uma lâmpada acesa atrás de uma cruz imensa e tenebrosa que ficava entre os dois vitrais. E pela luz lúgubre que saía das costas daquela cruz agourenta era possível ver a silhueta de um corpo humano pendurado nela. Aquilo era amedrontador! Parecia que realmente havia um homem padecendo naquele antigo aparelho de execução de vidas romano.

Dizem que a Igreja é a casa de Deus. E que Deus é o Senhor do Paraíso e da bondade. Mas, naquela igreja eu não entro. E uma criança, menos ainda! Mesmo que se esteja familiarizado com os princípios e as histórias do Cristianismo, aquela estrutura vem a lembrar mesmo um lugar de adoração da morte. Um local de adoração da tristeza, do sacrifício, do fim.

Realmente lembrava a casa de um senhor. De um senhor feudal. Minto! Nem recordava a moradia de um nobre desses, mas um calabouço seu.

O habitat do meu "Deus" é iluminado, cheio de cores e gargalhadas. Todos que vivem lá, brincam e dançam. Vivem! E, no lugar da imagem de um homem torturado e sofredor, com o rosto manchado do próprio sangue, há espíritos humorados a beber e a cantarolar.

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